Custo/benefício é desfavorável
Para o diretor-executivo da ONG Transparência Brasil, Claudio Abramo, o custo-benefício do valor de um parlamentar brasileiro e o retorno do seu trabalho em prol da população é desfavorável. Os parlamentares são cada vez mais irrelevantes. Eles não cumprem a sua principal obrigação, que é fiscalizar o Poder Executivo, critica.
Sobre os argumentos para tais aumentos como é o preço da democracia ou a comparação com a iniciativa privada, Abramo acredita ter as respostas. Para saber se esse é o preço da democracia, basta comparar com os outros países e vemos que os parlamentares brasileiros são os mais caros do mundo. Mas querer comparar com a iniciativa privada? Não há qualificativo para esse argumento. Eles que vão para a iniciativa privada então, justifica.
Na opinião do cientista político Ricardo Oliveira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o maior retorno dos valores disponibilizados aos parlamentares é para os próprios. O maior interesse é de manter as máquinas políticas. Política é para gente rica. As eleições estão cada vez mais caras e toda essa estrutura que é paga com o dinheiro do povo é para eles fazerem um trabalho eleitoreiro, não legislativo, diz.
Oliveira questiona, ainda, o fato do orçamento da Assembleia Legislativa do Paraná (AL) ser um dos maiores do Estado (a previsão para 2011 é de R$ 315,9 milhões), acima de vários municípios. Ele concorda com Abramo ao afirmar que os deputados estaduais paranaenses também não cumprem bem o seu papel de fiscalizar o Poder Executivo. Qualquer situação coopta partidos e forma uma maioria facilmente. Há muito pouca fiscalização. Eles não fiscalizam nem a própria Assembleia. Em relação aos representantes no Congresso, o cientista político alega que a bancada paranaense não é bem articulada e, por isso, não tem muita capacidade de trazer recursos para o Estado.
Já o cientista político David Fleischer, professor da Universidade de Brasília (UnB), acredita que o custo-benefício dos parlamentares brasileiros é, sim, favorável. É o custo para manter a democracia funcionando. Se não tivéssemos os nossos legislativos, estaríamos em uma ditadura. Ele acha que o argumento do equilíbrio entre os Poderes com o reajuste, os parlamentares, o presidente da República e os ministros do Supremo Tribunal Federal passaram a ter o mesmo salário foi bem justificado ou bem disfarçado. Ele argumenta, ainda, ser questionável comparar a situação com outros países em função de distorções existentes no câmbio. (M.R.M.).





