Brasília - Depois de quatro anos aplicando um programa de ''racionalização dos gastos'', o governo não conseguiu reduzir o custo de manutenção da máquina administrativa. Levantamento feito pela reportagem a partir de dados do Ministério do Planejamento mostra que entre 2002 e 2006 as despesas classificadas como custeio aumentaram, em vez de cair, 18% acima da inflação.
Em 2006, o Executivo gastou no custeio da máquina cerca de R$ 18,8 bilhões, em valores atualizados, ante R$ 15,9 bilhões em 2002. Neste ano, pelo ritmo dos 3 primeiros meses (expansão de 23%), o gasto pode ultrapassar os R$ 23 bilhões, sem considerar o Ministério da Defesa.
Em comparação com o primeiro ano de mandato, 2003, os gastos de custeio chegam a acumular alta de 49%. Isso ocorre porque no início o governo pisou fundo no freio: as despesas com manutenção de instalações e obras, por exemplo, foram de R$ 1,5 bilhão em 2003 e hoje estão em R$ 4,5 bilhões.
Esses números retratam apenas a evolução financeira, e não a quantidade ou preço das compras realizadas. Os dados estão disponíveis na internet, no portal de compras do governo.
Antes de 2006, os gastos do Ministério da Defesa não entravam na comparação, mas hoje já representam R$ 5,97 bilhões. Excluindo as compras de materiais militares, as demais despesas com material de consumo chegaram a R$ 1,72 bilhão em 2006, 37,7% a mais do que em 2002, já descontada a inflação.
O Ministério do Planejamento alega que esse item não se refere apenas às compras de papel, lápis, cadeira, etc., mas também às ''ações finalísticas'', como compra de gêneros alimentícios e materiais necessários ao funcionamento de unidades de ensino e fiscalização. ''O custo da despesa deve ser medido não pelo custo em si, mas pelo que dará de retorno ao cidadão'', argumenta a assessoria.
Segundo o ministério, algumas despesas caíram nos últimos anos, como diárias de viagem e passagens aéreas, fruto da adoção de medidas de controle. O mesmo ocorre nos contratos com empresas para prestação de serviços e consultoria.
Já o custo de locação de mão-de-obra para serviços de vigilância e limpeza vem aumentando aceleradamente, o que é atribuído pelo governo ao fato de os contratos estarem indexados ao salário mínimo. Nos últimos quatro anos, entretanto, o valor real do salário mínimo cresceu 38%, enquanto as despesas aumentaram 75%.

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