Curitibanos não vêem passado
Curitiba - Os eleitores brasileiros não estão acostumados a relembrar o passado político dos candidatos antes de votar, opinam cientistas políticos. O pesquisador Francisco de Oliveira, professor de sociologia da Universidade de São Paulo (USP) diz que a política é desvalorizada por conta do capitalismo contemporâneo. O mesmo pensa o professor Renato Lessa, formado em ciências sociais e presidente do Instituto Ciência e Fé. ''Desde sua origem, a tradição da filosofia política ocidental traz em si elementos que acolhem e antecipam o esquecimento na política'', diz Lessa.
Nas ruas de Curitiba, os eleitores demonstram que pesquisam pouco antes de votar. É o caso do estudante Douglas de Andrade, de 20 anos, que diz que não tem tempo para ler sobre os candidatos. Escolhe a pessoa pela postura e pelas promessas no horário eleitoral gratuito. O auxiliar mecânico industrial Celso Mariano, de 37 anos, diz que analisa o que o candidato pretende fazer pelo povo. Ele diz ler muito jornais e se manter atualizado. ''Os mais conhecidos acabam tendo o meu voto'', confessou. O aposentado Benedito Ferreira Guedes, 58 anos, diz que vota pela dignidade e pela honestidade. Até agora, diz só ter candidato à presidência da República. ''Não vou votar em mais ninguém. Só voto em quem tenho certeza que é bom.''
Já a dentista Letícia Cristiane Sakuma, 27 anos, vota pela formação acadêmica do candidato. ''Vejo qual a formação acadêmica, se é educado e responsável, se tem segurança ao falar. Não tem como verificar o passado, a não ser casos divulgados pela mídia, como do Maluff (Paulo) e do Pitta (Celso, ex-prefeito de São Paulo).''(L.P.)





