Curitibano não se interessa pela eleição
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de setembro de 1998
Jorge Eduardo 
O curitibano, cujo grau de exigência já serviu de parâmetro até para testes de novos produtos, está satisfeito com a vida que leva e não parece muito interessado nas eleições deste ano. Considera-se pouco informado e não demonstra muita vontade de acompanhar os programas gratuitos do TRE, alguns dos quais ainda pretende assistir até as eleições. Suas preocupações estão concentradas no desemprego, na segurança e na saúde, questões básicas numa cidade que já ganha ares de metrópole.
Trata-se de um eleitor conservador, algo avesso ao novo, que não vê perspectivas de mudança de vida com as eleições deste ano, em níveis nacional e estadual. A definição é de Bruno Lopes, da Experience - Consultoria e Pesquisa, instituto que em parceria com a Folha realizou uma ampla pesquisa de comportamento do eleitor de Curitiba. Curitiba tem 1.034.832 eleitores, a partir dos 16 anos de idade, um universo considerável numa população total de cerca de 1,5 milhão de habitantes - pouco menos de um quarto da população do Paraná.
Do dia 30 de agosto ao dia 2 deste mês, os pesquisadores da Experience realizaram 500 entrevistas - 52% mulheres e 48% homens -, todos eleitores que irão às urnas em 4 de outubro nas dez zonas eleitorais da cidade. Desse universo, 1% é de jovens entre 16 e 17 anos - que irão votar pela primeira vez -, 15% têm entre 18 e 20 anos, 14% estão entre os 21 e os 29 anos, 24% têm de 30 a 40 anos e 44% estão na faixa de 41 anos ou mais.
Do total pesquisado, 51% têm o 1º grau completo, 35% têm o 2º e 14% concluíram algum curso superior. Pela estratificação social que segue a metodologia da pesquisa, dos 500 entrevistados 45% pertencem à classe A/B, 36% à classe C e 19% à classe D/E. Temos um quadro bem real do conjunto da população de Curitiba, diz Bruno Lopes. Se a pesquisa foge ao padrão das habituais e não apresenta a tendência de voto do eleitorado, apresenta com clareza quem é e o que pensa o eleitor de Curitiba.
Lopes agrega a esta apuração duas informações relevantes, que constam de uma outra pesquisa, em fase de finalização: 70% dos curitibanos ainda não escolheram em quem votar para deputado federal e estadual e 60% não lembram em que votaram para deputado nas eleições de 1994.
Tais números podem representar uma esperança a mais para muitos candidatos em dificuldades, analisa Bruno Lopes. O formador de opinião, que pode ser o dono de uma fábrica ou a moradora mais antiga de uma rua, terá papel importante no convencimento dos indecisos, diz. Muitos votos serão conquistados no caminho entre a casa e a seção eleitoral.


