Curitiba terá organização social, anuncia Bresser
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sexta-feira, 03 de outubro de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
O ministro da Administração, Luiz Carlos Bresser Pereira, disse durante a sua visita ao Paraná, para o 29º fórum nacional de secretários da Administração, que Curitiba pode ser a primeira cidade do Brasil a instituir as chamadas organizações sociais, entidades sem fins lucrativos que prestam serviços à população, desafogando o Poder Executivo de suas responsabilidades. O município mostra mais uma vez que está na dianteira. As organizações sociais fazem parte de um processo, e são fundamentais para o Plano Diretor da reforma do Estado, avalia.
O ministro informa que lei federal similiar à que tramita na Câmara Municipal de Curitiba aguarda aprovação pelo Congresso Nacional. Quanto às críticas que o projeto do prefeito Cássio Taniguchi (PFL) vem sofrendo - a oposição alega que o projeto é inconstitucional e que sinaliza clara intenção do Executivo de entregar à iniciativa privada serviços tidos como essenciais - Bresser Pereira diz que ponderações dessa natureza não passam de miopia absoluta e pura irresponsabilidade. A prestação dos serviços ficará mais ágil e autônoma, defende.
Bresser Pereira diz que foi com o espírito das organizações sociais, por exemplo, que o sociólogo Darci Ribeiro idealizou a criação da Universidade de Brasília, em 1960. A universidade é estatal, embora totalmente financiada pelo Estado. As norte-americanas também são assim, compara o ministro. Segundo ele, os hospitais ingleses tornaram-se com o tempo organizações quase não governamentais. São melhores porque se tornaram competitivos entre si, justifica.
O projeto de Taniguchi enfrenta hoje as críticas de apenas dois vereadores (Tadeu Veneri do PT, e Gustavo Fruet do PMDB) e facilmente será aprovado pela Câmara, sobre a qual detém domínio. Fruet alega necessidade da lei federal primeiro e falta de critérios mais claros sobre como será o funcionamento das organizações. Ele classifica como perigosa a institucionalização da autonomia.
Veneri, por outro lado, entende como preocupante o projeto do prefeito, que fica livre de suas responsabilidades com a população, na medida que dá margem para que setores primordiais como saúde e educação também sejam atingidos pelas organizações sociais.


