Curitiba tem maior número de candidatos a prefeito desde 2004
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domingo, 07 de agosto de 2016
Mariana Franco Ramos <br>Reportagem Local 


Curitiba A capital paranaense tem nove candidatos a prefeito homologados em convenções. Além de Gustavo Fruet (PDT), que concorre à reeleição, foram oficializados o ex-prefeito Rafael Greca (PMN); os deputados estaduais Requião Filho (PMDB), Ney Leprevost (PSD), Tadeu Veneri (PT) e Maria Victoria (PP); a advogada e militante feminista Xênia Mello (PSOL); o empresário Ademar Pereira (Pros) e o pró-reitor da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) Afonso Rangel (PRP). O número é o maior desde o pleito de 2004, quando havia 12 postulantes ao cargo. Apesar de o prazo final para a realização das reuniões partidárias ter se encerrado na última sexta-feira, as legendas podem registrar os nomes até 15 de agosto.
O ex-deputado federal Luciano Pizzatto (PRTB), que chegou a se lançar à corrida ao Palácio 29 de Março no fim de julho, desistiu para compor a chapa com a pepista. Outro a integrar a aliança em torno da filha do ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP), e da vice-governadora do Estado, Cida Borghetti (PP), foi Fernando Francischini (SD), que abriu mão da disputa no mesmo dia em que foi anunciado como vice-líder do presidente interino Michel Temer (PMDB-SP) na Câmara, em Brasília. "Acredito que Maria Victoria tem como princípio o cuidado com as pessoas, o que reflete nos dois principais problemas da cidade: Saúde e Segurança Pública", escreveu, em nota. "Se minha família está na política há tanto tempo, é um reconhecimento das pessoas ao nosso trabalho", completou a candidata, de apenas 24 anos.
Na noite de sexta, o PPS fechou apoio a Fruet, que conta ainda com PV, PTB e PRB o PT, que fez parte de boa parte do primeiro mandato, perdeu espaço e optou pela candidatura própria. O vice é Paulo Salamuni (PV), presidente da Câmara Municipal no biênio 2013/2014. Com uma das maiores coligações, Leprevost decidiu por um vice "não político", o médico João Guilherme Moraes (PSC), ligado a Ratinho Jr. (PSD). Já Greca aceitou a indicação da sigla do governador Beto Richa (PSDB). Seu companheiro de chapa será Eduardo Pimentel Slaviero (PSDB), neto do ex-governador Paulo Pimentel. Requião, por sua vez, se coligou com a Rede Sustentabilidade, com o vereador Jorge Bernardi como vice. Os demais, incluindo Veneri, sairão com "chapas puras".
DISCURSOS
"O desafio é, num cenário de muita indignação, em razão das denúncias e do momento em que o País vive, com dificuldades, inclusive de comunicação no meio desta agenda negativa, mostrar que a cidade avançou e quer seguir em frente, entendendo que mudou o modelo de gestão e muda a realidade de investimentos", afirmou o atual prefeito, em evento para 3,5 mil pessoas numa casa de shows, na noite de quinta-feira. Seus adversários, evidentemente, fizeram discursos opostos. "Curitiba está desejando mudança, está desejando inovação, quer entrar no caminho das cidades inteligentes. Nós temos como tornar essa cidade mais participativa, dar a oportunidade para que as pessoas de forma muito sábia possam tomar as grandes decisões junto com a prefeitura", avaliou Leprevost.
Para Greca, os curitibanos precisam de uma administração "que não durma, que reintegre a rede metropolitana de transportes, que se ligue na luz do sol, nas startups, nas fab labs, na cultura dos jovens". "Quero fazer tudo o que os jovens querem, porque competência não envelhece e eu estou com uma vontade tremenda de voltar a ser prefeito. E sobremaneira eu quero trabalhar para tornar Curitiba maior do que as dificuldades e afirmar que tendência não é destino". O político do PMN aproveitou para alfinetar seu principal oponente. "Sobretudo para quem está no cargo, quero dizer: se está difícil para vocês, deixa que eu faço".
Na avaliação de Requião Filho, a cidade terá de escolher entre a coerência partidária e aqueles que mudam de ideologia conforme pesquisas quantitativas. "Curitiba está se tornando uma cidade mais política, mais crítica e essas pessoas que trocam de partido como quem troca de roupa terão dificuldade de explicar a sua ideologia", alfinetou. De acordo com o peemedebista, Greca estaria "surfando" na onda da rejeição a Fruet. "Quando a campanha começar e a população ver que existem outros nomes, outras propostas mais factíveis desvinculadas desse discurso de marqueteiro que o Greca faz hoje, tenho certeza que esses outros candidatos, eu incluso, vão ter um crescimento nas pesquisas".
Defensor da candidatura própria nos dois pleitos anteriores em 2008 perdeu a indicação para a senadora Gleisi Hoffmann e em 2012 para a aliança com Fruet -, Veneri desta vez conseguiu se viabilizar. Sem apoios, a não ser dentro do próprio partido, contudo, ele admite que a campanha será modesta. "Espero que a gente possa ter de fato uma campanha militante, diferente dos últimos 20 anos; uma campanha em que as pessoas se identifiquem com as propostas". O advogado Nasser Ahmad Allan, também do PT, foi escolhido como vice. "Isso (chapa pura) tem um lado, claro, de dificuldade, mas outro muito positivo, que é, pela primeira vez desde 1988, termos uma candidatura de consenso e as condições de fazer no período eleitoral um debate com a população sobre as teses em que de fato acreditamos".


