Curitiba tem 80 mil nas ruas
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domingo, 15 de março de 2015
Andréa Bertoldi<br> Reportagem Local 
Curitiba - O protesto em Curitiba pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) reuniu 80 mil pessoas, no Centro, segundo estimativa da Polícia Militar (PM). Os organizadores do movimento citaram que o número chegaria a 100 mil. Além da saída da presidente, os manifestantes pediam a redução da carga tributária, a reforma política e a investigação rigorosa das denúncias de corrupção, especialmente, às associadas ao escândalo da Petrobras, investigado na operação Lava Jato.
O protesto foi pacífico e, segundo a PM, não foi registrado nenhum incidente. Cristiano Roger Pereira, um dos organizadores, disse que os principais objetivos do protesto eram mostrar o descontentamento do brasileiro com o que ocorre no País. "Queremos a ruptura do governo por impeachment ou renúncia. Não somos golpistas. Somos contra o Estado paternalista e autoritário."
A manifestação teve a participação de muitas famílias e crianças. No início do protesto, na Praça Santos Andrade, o clima era de festa e lembrava jogos de Copa do Mundo, com bandeirinhas do Brasil nas janelas dos carros. O verde e amarelo das camisetas e bandeiras dos manifestantes dominou o cenário. Um manifestante mostrou uma bandeira vermelha do alto de um prédio e foi vaiado pela multidão.
Os organizadores do movimento usaram três carros de som e os vendedores ambulantes também aproveitaram o aglomerado de gente para comercializar produtos como camisetas, bandeiras, refrigerantes, cervejas e doces. No local, diversos tipos de faixas pediam reforma política e tributária, fomentavam o separatismo, apoiavam o juiz Sérgio Moro, que conduz a operação Lava Jato, ou ironizavam o PT. Eram comuns mensagens como "Welcome to CorruPTion paradise, "Impeachment: We Can!" e "Intervenção Extraterrestre".
"Queremos tirar o PT do poder", disse a administradora Tamara Toldo. "Vim demonstrar a minha indignação com o roubo na Petrobras, a alta carga tributária e a corrupção e apoiar o herói nacional, o juiz Sérgio Moro", disse o supervisor de projetos da área mecânica, Alan Souza. "Queremos mudar a política do Brasil, o jeito que o país está sendo governado. A reforma política está há muito tempo para ser votada e, sem pressão, isso nunca vai ocorrer", disse o professor universitário Antônio Motta.
Os manifestantes seguiram em marcha até a Boca Maldita. As palavras de ordem mais ouvidas foram "Fora, Dilma" e "Fora, PT". Os manifestantes também entoaram cantos como "Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor". E usaram os mais variados utensílios, de panelas a cornetas. No início da noite, um grupo promoveu um panelaço e um buzinaço na região do bairro Batel. Também foram registrados panelaços em vários bairros da capital.


