Curitiba pode ficar sem biometria em 2012
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sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Luciana Cristo <br> Equipe da Folha 
Curitiba - Se pelo menos 80% dos eleitores de Curitiba não fizerem o recadastramento biométrico - que permite o voto nas urnas por meio das impressões digitais - até janeiro de 2012, a capital do Estado corre o risco de não receber o sistema de biometria para a votação nas eleições municipais do ano que vem. A cidade é a única do Paraná a testar o novo sistema já nas próximas eleições.
A expectativa em cima de Curitiba é grande porque a cidade é considerada um ''termômetro'' para avaliar a adesão ao novo sistema. Até agora, Curitiba é, entre essas cidades, a que mais está avançada no recadastramento. Mesmo assim, longe do ideal. Faltando menos de 85 dias para o prazo final (que não será prorrogado), pouco mais de 52% dos 1,3 milhão de eleitores compareceram até a sede do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná para o recadastramento. ''Se Curitiba não conseguir cumprir a meta, dificilmente as outras cidades conseguirão'', avalia o presidente do TRE, Irajá Prestes Mattar.
O número cresce de forma lenta, mesmo com as facilidades oferecidas: a Central de Atendimento ao Eleitor está abrindo aos finais de semana e feriados. ''A margem está preocupante. É um absurdo deixar tudo para a última hora. Vai acontecer o que não queríamos: filas enormes e corremos o risco de sermos comparados ao INSS'', alerta Prestes Mattar. Para tentar chamar aqueles que ainda não passaram pelo procedimento - que dura, no máximo, dez minutos - o TRE tem feito campanha massiva nos meios de comunicação, propagandas nos pontos de ônibus e vai convocar os eleitores pelos Correios. ''Um carro de som - no estilo carro do sonho ou da pamonha - vai percorrer bairros mais afastados anunciando o recadastramento e um ônibus vai chamar a população para ajudar no agendamento'', conta o presidente do TRE.
Prestes Mattar também cobra empenho dos políticos para ajudar na mobilização dos eleitores. ''Os vereadores se comprometeram a vir aqui em grupo e até agora nada. Se ficarem 100 mil eleitores sem o recadastramento, serão 100 mil votos que os políticos vão perder'', cobra ele, uma vez que quem não fizer o recadastramento até o prazo terá o título de eleitor cancelado. Para ajudar a receber os eleitores no período do fim do ano, 80 servidores do governo estadual e outros 100 do Exército devem reforçar o contingente de 750 funcionários do TRE, que afirma ter capacidade para atender até 12 mil eleitores diariamente.
Tão logo acabe a eleição de 2012, o TRE planeja começar o recadastramento biométrico nas maiores cidades do interior do Paraná: Londrina, Maringá, Cascavel, Ponta Grossa e Foz do Iguaçu. Dessa forma, os eleitores dessas cidades poderão votar pelo novo sistema nas eleições majoritárias de 2014. A ideia do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é incluir todos os municípios brasileiros no novo sistema até 2018.
O TRE estima que as eleições do ano que vem custarão R$ 20 milhões para a preparação do pleito. O valor oficial será confirmado pelo TSE no início do ano que vem. As eleições de 2010 tiveram custo total de R$ 17 milhões.


