A resolução baixada em março deste ano pelos bispos do Paraná, proibindo a participação de padres e religiosos na Política, começou a vigorar. A Cúria Diocesana de Ponta Grossa divulgou nota oficial na última quarta-feira suspendendo o uso de ordens religiosas do deputado federal Roque Zimmermann (PT). A proibição vale somente no território dos municípios que compõem a diocese ponta-grossense. A suspenção, de prazo indeterminado, está vigorando desde o último dia 6.
De acordo com o administrador dicocesano, padre Francisco Carlos Bach, a decisão segue orientação do Código de Direito Canônico e atende a uma posição assumida pelos bispos do Paraná, na assembléia realizada em Cornélio Procópio, nos dias 30 e 31 de março passado. Os bispos decidiram suspender o uso de ordens de todo sacerdote que estiver filiado a um partido político.
Roque Zimmerman está impedido de celebrar missas, administrar sacramentos ou realizar atos próprios do ministério sacerdotal nos 17 municípios administrados pela Dicoese de Ponta Grossa. Com relação aos demais municípios do Estado, padre Francisco Bach explicou que irá depender do bispo de cada diocese. A princípio o padre Roque está liberado para desenvolver suas ordens sacerdotais nos municípios fora da região de Ponta Grossa e em Brasília, aonde celebra missas semanais.
Francisco Bach esclarece que a nota oficial atende a inúmeros pedidos de esclarecimentos sobre a posição da Cúria Diocesana com relação à candidatura de padre Roque à reeleição. Padre Francisco também esclarece na nota oficial ‘‘que o sacerdote em questão não é diocesano, nem sacerdote religioso de Congregação com a qual a Diocese tenha convênio. Sua candidatura é fruto de uma decisão pessoal’’
Apesar da decisão ‘minar’ sua base eleitoral, padre Roque disse ontem que vai respeitá-la, mas apenas no limite da sua validade. ‘‘Em Brasília e no resto do Paraná pretendo continuar com minhas funções. Isso, desde que não haja pressão da diocese’’, considerou. ‘‘Acho que os bispos têm todo o direito de exporem seus pontos de vista, mas esta decisão da diocese é fora de propósito. É porque eu incomodo muito’’, argumentou o deputado. Segundo ele, sua assessoria já havia encaminhado no início do mês de junho um pedido de afastamento da diocese. ‘‘Resolveram responder somente agora’’, reclamou. A decisão da diocese de Ponta Grossa pode abrir precedentes, pois existem outros padres candidatos no Estado. (Colaborou Leandro Donatti)

mockup