Cúpula tucana afasta Alvaro e Osmar
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quarta-feira, 06 de junho de 2001
Maria Duarte De Curitiba 
O presidente nacional do PSDB, deputado José Anibal (SP), anunciou no final da tarde de ontem o afastamento do partido dos senadores paranaenses Alvaro Dias e Osmar Dias. Segundo Anibal, a decisão foi tomada por unanimidade pela executiva nacional porque os senadores se recusaram a retirar as assinaturas do requerimento de criação da CPI da Corrupção, para investigar o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Os irmãos Dias rechaçaram a declaração de Anibal que consideram uma posição isolada do deputado. Ambos disseram que permanecem no partido esperando uma decisão oficial. A executiva não votou, não deliberou essa decisão. Os outros integrantes presentes na reunião garantem que não foi votado, disse Osmar. Ele afirmou que vai esperar uma formalização. Só a palavra do Anibal não vale. Queremos um documento legal. Para Osmar, não existe afastamento e, se a cúpula tucana quiser, que formalize a expulsão.
Alvaro adotou um tom ainda mais incisivo. O José Anibal não é o proprietário do PSDB, é presidente. Ele não tem poder de afastar ninguém, rebateu. De acordo com Alvaro, existe um ritual que precisa ser seguido, começando com uma representação no Conselho de Ética. O Anibal não pode invadir meu mandato e dizer como eu devo proceder. Jogo duro não funciona, emendou o presidente estadual da legenda.
Durante reunião no início da tarde com Anibal, os irmãos Dias exigiram que a questão fosse decidida depois da discussão envolvendo todo o diretório do partido. Alvaro e Osmar garantiram que não retirariam as assinaturas.
Anibal afirmou que a decisão contou com o apoio dos senadores Geraldo Mello (RN) e Lúcio Alcântara (CE), que representam, na executiva, a bancada tucana no Senado. Ao argumento dos irmãos Dias de que essa decisão só poderia ser tomada pelo diretório nacional do partido, Anibal respondeu que a executiva tem respaldo regimental para tomar decisões dessa natureza. Ele argumentou que não há expulsão, porque os senadores não criaram constrangimentos ao partido, mas que, na prática, o efeito é o mesmo. O que importa é que o partido tem que demonstrar que não aceitará mais este tipo de procedimento. É um processo de afirmação partidária, e não vamos aceitar este emparedamento muito forte da oposição que estamos dispostos a romper.
O presidente nacional rebateu as críticas dentro da bancada tucana do Senado à decisão, que classificou a medida como desnecessária. Desnecessário é submeter o presidente a este emparedamento. Isso nós vamos evitar. Os deputados federais do PSDB teriam ameaçado deixar o partido, se os senadores deixarem a sigla.
O líder dos tucanos no Senado, Sérgio Machado (CE), marcou reunião com a bancada de 13 senadores, logo após o término da sessão de ontem. A bancada decidiu por unanimidade pela permanência dos dois senadores e encarregaram Machado de negociar uma posição com a executiva nacional da legenda.
Em Curitiba, os deputados estaduais do partido não acreditam na saída dos senadores tucanos. O líder do PSDB na Assembléia Legislativa, Sérgio Spada, disse que a posição de Anibal é pessoal. José Maria Ferreira também não acredita na expulsão. Para ele, a saída de Alvaro e Osmar poderia estar sendo articulada para abrir espaço para integrantes do grupo do governador Jaime Lerner (PFL), como Cassio Taniguchi (PFL), prefeito de Curitiba. (Com Agência Estado)


