O presidente nacional do PSDB, deputado José Anibal (SP), anunciou no final da tarde de ontem o afastamento do partido dos senadores paranaenses Alvaro Dias e Osmar Dias. Segundo Anibal, a decisão foi tomada por unanimidade pela executiva nacional porque os senadores se recusaram a retirar as assinaturas do requerimento de criação da CPI da Corrupção, para investigar o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Os irmãos Dias rechaçaram a declaração de Anibal – que consideram uma posição isolada do deputado. Ambos disseram que permanecem no partido esperando uma decisão oficial. ‘‘A executiva não votou, não deliberou essa decisão. Os outros integrantes presentes na reunião garantem que não foi votado’’, disse Osmar. Ele afirmou que vai esperar uma ‘‘formalização’’. ‘‘Só a palavra do Anibal não vale. Queremos um documento legal’’. Para Osmar, não existe afastamento e, se a cúpula tucana quiser, que formalize a expulsão.
Alvaro adotou um tom ainda mais incisivo. ‘‘O José Anibal não é o proprietário do PSDB, é presidente. Ele não tem poder de afastar ninguém’’, rebateu. De acordo com Alvaro, existe um ritual que precisa ser seguido, começando com uma representação no Conselho de Ética. ‘‘O Anibal não pode invadir meu mandato e dizer como eu devo proceder. Jogo duro não funciona’’, emendou o presidente estadual da legenda.
Durante reunião no início da tarde com Anibal, os irmãos Dias exigiram que a questão fosse decidida depois da discussão envolvendo todo o diretório do partido. Alvaro e Osmar garantiram que não retirariam as assinaturas.
Anibal afirmou que a decisão contou com o apoio dos senadores Geraldo Mello (RN) e Lúcio Alcântara (CE), que representam, na executiva, a bancada tucana no Senado. Ao argumento dos irmãos Dias de que essa decisão só poderia ser tomada pelo diretório nacional do partido, Anibal respondeu que a executiva tem respaldo regimental para tomar decisões dessa natureza. Ele argumentou que não há expulsão, porque os senadores não criaram constrangimentos ao partido, mas que, na prática, o efeito é o mesmo. ‘‘O que importa é que o partido tem que demonstrar que não aceitará mais este tipo de procedimento. É um processo de afirmação partidária, e não vamos aceitar este emparedamento muito forte da oposição que estamos dispostos a romper’’.
O presidente nacional rebateu as críticas dentro da bancada tucana do Senado à decisão, que classificou a medida como ‘‘desnecessária’’. ‘‘Desnecessário é submeter o presidente a este emparedamento. Isso nós vamos evitar’’. Os deputados federais do PSDB teriam ameaçado deixar o partido, se os senadores deixarem a sigla.
O líder dos tucanos no Senado, Sérgio Machado (CE), marcou reunião com a bancada de 13 senadores, logo após o término da sessão de ontem. A bancada decidiu por unanimidade pela permanência dos dois senadores e encarregaram Machado de negociar uma posição com a executiva nacional da legenda.
Em Curitiba, os deputados estaduais do partido não acreditam na saída dos senadores tucanos. O líder do PSDB na Assembléia Legislativa, Sérgio Spada, disse que a posição de Anibal é pessoal. José Maria Ferreira também não acredita na expulsão. Para ele, a saída de Alvaro e Osmar poderia estar sendo articulada para abrir espaço para integrantes do grupo do governador Jaime Lerner (PFL), como Cassio Taniguchi (PFL), prefeito de Curitiba. (Com Agência Estado)

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