Cúpula tenta frear idéia de impeachment
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sábado, 13 de agosto de 2005
Vera Rosa e Christiane Samarco<br> Agência Estado 
Brasília - Os ministros mais influentes do governo montaram uma operação para evitar a abertura de um processo de impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e vão retomar as conversas com a oposição nos próximos dias. O time escalado para a tarefa é composto por Márcio Thomaz Bastos (Justiça), Antonio Palocci (Fazenda) e Jaques Wagner (Relações Institucionais). O trio já desempenhou essa missão há um mês, mas sem êxito. Agora, porém, a situação é mais delicada.
''Não podemos permitir que nosso projeto seja interrompido'', afirmou Lula na reunião ministerial de sexta-feira, na Granja do Torto. Um dos ministros presentes ao encontro disse à Agência Estado que o governo sairá da defensiva. ''As energias podem estar voltadas para a CPI, mas o País não pode parar por causa da crise política'', afirmou. ''O governo precisa governar.''
Na prática, porém, ninguém sabe o que fazer. No Palácio do Planalto, a preocupação com a crise aumenta a cada dia. ''O governo não vai enveredar pelo populismo econômico, mas será feito um chamamento para que a crise não contamine mais a economia'', resumiu o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP).
Thomaz Bastos e Palocci vão procurar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador Marco Maciel (PFL-PE). ''Fernando Henrique está nos recomendando cautela. Ele está assombrado'', contou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).
Com a paralisia dos petistas diante do envolvimento de seu partido num esquema de corrupção que envolve sonegação fiscal, evasão de divisas e compra de votos no Congresso, os líderes das legendas de oposição no Senado e um grupo suprapartidário de deputados começaram a articular uma saída institucional para a crise.
As cúpulas de PSDB, PFL e PPS vão reunir-se nesta segunda-feira para avaliar a agenda dos próximos dias nas CPIs dos Correios, do Mensalão e dos Bingos, que mais uma vez podem trazer depoimentos explosivos, entre os quais o do tesoureiro informal do PTB, Emerson Palmieri. Discutirão, ainda, o parecer das assessorias jurídicas dos partidos sobre a fundamentação de um eventual pedido de processo de impeachment contra Lula.
Com o agravamento da crise política nos últimos dias, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também se empenha em atrair para o diálogo não só os líderes de oposição. Além de conversar com pefelistas e tucanos, Renan está procurando líderes da base aliada, do governo e do PT. Foi o que fez, em almoço informal na sexta-feira, em que reuniu na residência da presidência do Senado Virgílio e os líderes na Casa do PFL, José Agripino Maia (RN), e do PT, Delcídio Amaral (MS), que preside a CPI dos Correios.
A avaliação geral é de que o PT vive hoje um processo de esgarçamento que tende a se aprofundar por causa das exigências da base de punir os parlamentares envolvidos nas denúncias sobre o mensalão. Os líderes dos partidos acreditam, ainda, que o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), perdeu as condições políticas de comandar um processo de negociação e diálogo. Para piorar a situação, a Câmara está praticamente sub judice, tantos são os pedidos de cassação de parlamentares de praticamente todos os partidos.
''Estamos discutindo alternativas de futuro, considerando que Renan é a única autoridade, neste momento, com livre trânsito em todos os partidos'', explicou Agripino. Ele também está entusiasmado com a adesão do presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PE), ao diálogo, por se tratar de um dos mais severos críticos da administração petista.
''Temos de conversar e estar em articulação permanente para não sermos surpreendidos com um pedido de impeachment de uma legenda menor, como o PPS'', acrescentou Agripino, certo de que essa articulação de líderes aponta para uma convergência. ''Quando a crise ficar incontrolável, o entendimento já estará em marcha.''
O entendimento geral é o de que ninguém tem o controle dos fatos. Ao contrário, argumentam, os fatos é que vão pautar se vai ou não haver impeachment, diante da reação da opinião pública às denúncias que surgem a cada dia.


