Cúpula sul-americana ameaça ser esvaziada
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quarta-feira, 28 de setembro de 2005
Cláudia Dianni<br>Folhapress 
Brasília - A primeira reunião de cúpula da Comunidade Sul-Americana de Nações (CASA) começa hoje em Brasília com quórum de 50% dos 12 presidentes da região. Como é de praxe, Néstor Kirchner, presidente da Argentina, o principal sócio do Brasil na região, ainda faz suspense sobre sua participação. Até ontem o argentino não havia confirmado sua presença na reunião do projeto de integração idealizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Normalmente, o presidente argentino falta ou vai embora antes do fim das reuniões de países sul-americanos, como as cúpulas do Mercosul. ''A CASA tem três grandes desafios imediatos: convergir as instituições de integração, unir os países fisicamente por meio de projetos de infra-estrutura e resolver o problema de financiamento para esses projetos'', disse o assessor especial da presidência, Marco Aurélio Garcia.
Além disso, a região ainda vai ter de resolver um outro problema básico, de cidadania. Ontem representantes das Câmaras Comerciais do Mercosul entregaram uma petição no Ministério da Justiça para que o Brasil ofereça isonomia de tratamento aos sul americanos com residência fixa no país. ''Um integrante do Mercosul que reside há 30 anos no Brasil tem que avisar a Polícia Federal quando muda de endereço e não pode comprar lotes em regiões litorâneas. Essa é uma lei da ditadura'', disse Juan Carlos Acosta, vice-presidente da comissão que coordena o projeto da Lei do Imigrante, proposto pelas Câmaras de Comércio dos países do Mercosul.
O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez não virá à cúpula e será substituído pelo vice-presidente, Rodolfo Nin Novoa. A chancelaria uruguaia sempre foi crítica ao que classificava, em conversas de corredores nesses encontros, de tentativa de liderança imposta pelo Brasil, tese defendida também por setores na Argentina.
Com a eleição do esquerdista Tabaré Vázquez, no ano passado, o governo brasileiro esperava que o Uruguai se tornasse um parceiro mais entusiasmado com o projeto de integração. A embaixada do Uruguai não informou o motivo da ausência de Vázquez.
Embora não vá comparecer, Vázquez distribuiu aos presidentes da região uma entusiasmada carta, assinada com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, defendendo a união da América do Sul. A carta anuncia a criação da Comissão Sul, que vai se encarregar de propor um plano estratégico 2005-2010 para a integração.
Também não virão os presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe, da Guiana, Bharrat Jagdeo, e do Suriname, Ronaldo Venetiaan. De acordo com o chefe do grupo de trabalho do Itamaraty que prepara a reunião, embaixador Luiz Filipe de Macedo Soares, a intenção é criar mecanismos nos próximos anos que ''tragam a Guiana e o Suriname para uma convivência mais frequente na região''.
O presidente do Paraguai, Nicanor Duarte Frutos, não vai comparecer ao jantar de hoje, mas participa da reunião entre os presidente na sexta-feira. Há duas semanas, o vice-presidente do Paraguai, Luís Castiglione, defendeu a saída do Paraguai do Mercosul. O peruano Alejandro Toledo, presidente pró-tempore do grupo neste ano, confirmou presença e vai passar a presidência da CASA para o boliviano Eduardo Rodriguez, que também confirmou presença. Também chegam hoje Chávez, o principal defensor da união sul-americana, e os presidentes do Chile, Ricardo Lagos, e do Equador, Alfredo Palácio.


