'Cúpula que evitar que o PMDB se reúna'
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sexta-feira, 04 de junho de 2010
Rosiane Correia de Freitas<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O ex-governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), disse ontem à FOLHA que vai manter seu nome na convenção nacional do PMDB para a candidatura a presidência da República. Segundo informações veiculadas na imprensa, o presidente da Câmara e provável candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff (PT), Michel Temer, teria estipulado que Requião só poderia disputar a convenção peemedebista se abrisse mão da disputa ao Senado. ''O Temer não disse nada disso. Não tem cabimento uma coisa dessa'', declarou.
Segundo Requião, a cúpula do partido quer ''evitar que o PMDB se reúna e debata''. ''Eles nunca querem levar o debate para frente'', completou. ''Acho que tenho boas condições de ganhar a convenção. Andei por esse país inteiro. O que eu quero é dar oportunidade para o partido dialogar'', respondeu.
Em entrevista à FOLHA, Requião falou sobre a disputa para a sucessão do governo do Paraná. O ex-governador afirmou que está ''muito triste com tudo isso''. ''Essa perspectiva (de não ter um candidato que represente a gestão dele) é muito ruim. Fico triste pelo esforço brutal de quem trabalhou no governo'', revelou.
Segundo o ex-governador, o mau desempenho de Orlando Pessuti (PMDB) nas pesquisas de intenções de voto é resultado do fato ''do candidato do governo não ser o que reflita o que esse governo representou''. ''O objetivo do Pessuti é contrário a tudo que fizemos'', criticou. Segundo Requião, Pessuti ''era comportado'' quando ocupava a vice-governadoria.
Para Requião, Pessuti deveria pagar do bolso o valor gasto pelo governo para instalar outdoors em todo o estado em comemoração ao fim da multa do Banestado. ''A multa foi pelo não pagamento de títulos podres adquiridos pelo Banestado e não pela venda do banco. Eles não sabem nem o que aconteceu e querem crédito. Deviam cobrar dele esses outdoors todos'', defendeu.
Na segunda-feira, membros da executiva do PMDB do Paraná se reúnem com a bancada do partido na Assembleia e Câmara dos Deputados para discutir a sucessão. ''Vão impor (os deputados) ao Pessuti que o partido traga o PT ou o PSDB na proporcional. Se não tiver coligação arrasa as possibilidades do partido (nas eleições)'', avaliou.


