O PT aprovou ontem uma política de alianças para a eleição de 2002 ''com forças políticas da esquerda e do centro'' que fazem oposição ao presidente Fernando Henrique Cardoso. O acordo foi fechado no fim da tarde, depois que o grupo do deputado José Dirceu (SP) recuou e decidiu retirar do texto a menção ao PL do senador José Alencar (MG), cotado para vice na chapa liderada pelo provável candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva.

Embora a cúpula deseje o casamento com o PL, o texto que passou pelo crivo do 12º Encontro Nacional do partido, em Olinda (PE), diz que a definição das alianças ainda será objeto de aprovação no diretório nacional. Esta foi a forma encontrada pelos moderados para contornar as resistências à citação explícita ao PL dentro do próprio grupo light.

Na abertura do encontro, um representante do PL de Pernambuco foi vaiado, enquanto um integrante do Partido Comunista Cubano era aplaudido de pé. No telão do auditório, lotado por 900 petistas, um vídeo sobre o PT mostrou o ''desmembramento'' de partidos que vieram da Arena e do MDB e acabou citando o PL no rol dos que passaram pela metamorfose. ''Só o PT não muda'', dizia uma voz em off.

Na prática, porém, o que foi aprovado ontem significa a abertura do leque de alianças para além das fronteiras da esquerda, como Lula defende. ''Se quisermos ganhar as eleições, tem de ser assim'', disse José Dirceu. Ele também quer abrir a discussão com ''setores'' do PTB e do PMDB, sem contar a aproximação com antigos aliados que hoje vivem às turras, como o PDT e o PSB. Os radicais discordam.

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