Cúpula em Beirute pode ser histórica
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terça-feira, 26 de março de 2002
France Presse 
Beirute á Os dirigentes árabes, sem o líder palestino Yasser Arafat, estarão hoje e amanhã em Beirute, participando de uma reunião de cúpula que poderá aprovar a proposta de paz sem precedentes apresentada pela Arábia Saudita, que envolve a normalização das relações entre o mundo árabe e Israel em troca da retirada israelense dos territórios ocupados. Uma vez aprovada, a iniciativa saudita, que constará em um documento paralelo às resoluções gerais da reunião de cúpula, constituirá para os países árabes a base de um tratado de paz global entre eles e o Estado de Israel, criado em 1948 a partir da divisão da Palestina.
O Egito, inicialmente irritado por ter tomado conhecimento da iniciativa do príncipe-herdeiro saudita, Abdallah Ben Abdel Aziz, através de uma entrevista concedida por ele ao jornal The New York Times no último dia 17 de fevereiro, aceitou posteriormente a proposta.
O chefe da diplomacia síria, Faruk al Chareh, negou ontem que seu país, partidário da firmeza frente a Israel, tivesse reservas. A Síria participa da redação desta iniciativa. É Israel que a rechaça, afirmou.
A Arábia Saudita quer que sua iniciativa seja aprovada por unanimidade. A oposição do Líbano a qualquer compromisso em relação à cláusula que cita o direito de retorno dos refugiados palestinos não foi superada durante a reunião dos chanceleres árabes e a decisão será anunciada na reunião de cúpula. Apoiado pela Síria, o governo libanês exige uma formulação da proposta que garanta que os cerca de 380 mil palestinos que vivem em seu território não obtenham o direito de se assentar definitivamente ali.
Os países que apóiam a iniciativa, como Jordânia e Egito, dizem que o texto tem que caber em uma página, sem entrar em detalhes, e que cada país terá que negociar bilateralmente com Israel os outros aspectos.
O presidente egípcio, Hosni Mubarak, informou que o texto da proposta de paz será transmitido às Nações Unidas, e que será criado um comitê de seguimento, que poderá convocar posteriormente uma reunião de cúpula extraordinária. Mubarak disse não ter nenhuma confiança em Israel. Não acredito que aceite (a proposta).
O premier israelense, Ariel Sharon, já anunciou que a devolução de todos os territórios conquistados em 1967 colocaria em risco a segurança do país.
Apelo de WashingtonA Casa Branca pediu ontem aos dirigentes árabes que avaliem a iniciativa saudita de paz no Oriente Médio, independente de Israel deixar ou não o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, participar na cúpula da Liga Árabe em Beirute. O porta-voz da Casa Branca Ari Fleischer declarou que Washington ainda não sabia nada definitivo sobre a decisão a respeito da ida de Arafat (que acabou resolvendo não viajar por não aceitar as condições impostas pelo Governo israelense, conforme notíciário publicado abaixo, nesta página).


