Cúpula elogia EUA por corte de juros
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sexta-feira, 16 de outubro de 1998
Marcelo de Moraes Agência Estado 
Os ministros das Relações Exteriores dos países da América Latina, da Espanha e de Portugal elogiaram ontem a decisão do Fed, o Banco Central norte-americano, de cortar as taxas de juro de curto prazo. O corte foi discutido e os comentários foram positivos, embora a medida ainda tenha sido considerada insuficiente, afirmou o ministro das Relações Exteriores de Portugal, Jaime Gama. A declaração foi feita no Porto, depois de uma reunião dos ministros da área externa que preparam as resoluções a serem aprovadas na 8ª Cúpula Ibero-Americana, neste fim de semana.
Gama acrescentou que a situação dos juros internacionais certamente será discutida pelos chefes de Estado que vão participar da cúpula. O que vai sair da cúpula do Porto será uma mensagem de confiança na América Latina, não de ceticismo, acrescentou.
A declaração do Porto, documento oficial com a posição comum dos países participantes da cúpula, foi conhecida antecipadamente ontem, e ratifica a preocupação do Brasil com a criação de mecanismos que garantam a estabilidade dos mercados financeiros internacionais. Apesar de a reunião somente começar oficialmente hoje, o documento já foi acertado entre os representantes diplomáticos dos países participantes do encontro.
A partir de hoje, os presidentes dos países se reúnem na cidade do Porto para discutir o tema Os Desafios da Globalização e a Cooperação Interregional e confirmarão a necessidade da criação de mecanismos de proteção, sobretudo para países emergentes, que têm economias mais sensíveis à crises financeiras. A declaração do Porto prevê, efetivamente, uma participação mais ativa dos organismos financeiros internacionais, tal como foi acordado na última reunião do FMI em que o Brasil esteve representado pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, explicou ontem o secretário-geral do Itamaraty, Luis Augusto de Castro Neves.
Segundo o embaixador, o documento do Porto faz um chamamento à comunidade internacional e, em particular, aos países do G-7 para que tomem as medidas necessárias para promover a estabilidade dos mercados financeiros internacionais. Para Castro Neves, isso é uma condição necessária para que o Brasil possa partir para o crescimento econômico em bases duradouras.
A decisão da reunião acabou vindo de encontro à posição do presidente Fernando Henrique Cardoso, que tem defendido uma ação internacional contra os efeitos das ações especulativas que têm provocado pesadas crises econômicas, como ocorreu na Ásia e mais recentemente na Rússia. Desde essa crise, o Brasil tem enfrentado problemas com a perda de reservas, provocada justamente pela especulação. Na quinta-feira, por exemplo, o fluxo de reservas do País sofreu uma perda de mais de R$ 300 milhões.
Fernando Henrique quer conversar justamente sobre esse assunto hoje com o presidente da Argentina, Carlos Menem, e com o presidente do México, Ernesto Zedillo. Os três países representam justamente as principais economias da América Latina e Fernando Henrique deseja estreitar com Argentina e México uma linha de ação comum contra a instabilidade econômica.
A reunião do Porto, contudo, não tem o caráter de tomar qualquer decisão de ação, embora tenha a participação de outros importantes chefes de Estado, como Fidel Castro, de Cuba. Não há nada de resolutivo, não há propostas de medidas concretas, confirma o embaixador Castro Neves. É apenas o endosso político da comunidade Ibero-americana àquilo que vem sendo feito em outros foruns pertinentes, diz.
A discussão no Porto já representa uma espécie de preparação para um grande encontro internacional no próximo ano, justamente no Rio de Janeiro. Essa reunião agrupará 48 países da América Latina e União Européia. Será um grande e importante encontra, afirma o embaixador.


