Cúpula do PSDB decide retomar a bandeira da ética
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domingo, 01 de abril de 2001
Agência EstadoDe Belém 
Convencida de que a oposição especialmente o PT está roubando dos tucanos a bandeira da ética na política e ameaçando a governabilidade do presidente Fernando Henrique Cardoso, a cúpula do PSDB deixou de lado as divergências e adiou para o ano que vem o debate em torno de candidaturas.
Durante o fim de semana os cardeais do partido se reuniram em Belém (PA)
para discutir as eleições de 2002. O encontro reuniu quatro ministros, seis governadores, líderes e dirigentes nacionais do PSDB. Eles lançaram um documento, dando prioridade a uma ofensiva para recuperar a imagem do partido, que se confunde com a do Governo. O PSDB quer mostrar ao país, exemplos da conduta ética e competente das administrações tucanas.
Existe uma síndrome golpista que se cerca de moralismo, uma campanha para quebrar a governabilidade, denunciou o ministro da Justiça, José Gregori. Segundo ele, só quem acredita em cegonha acha que o líder do PT no Senado, José Eduardo Dutra (SE), busca a verdade, quando propõe uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar corrupção no País.
O secretário-geral do partido, deputado Márcio Fortes (RJ), explicou que há uma percepção generalizada no tucanato de que a troca constante de denúncias de corrupção entre o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), e o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) acaba respingando nos aliados e no governo. As pesquisas indicam que há uma reação negativa da opinião pública, embora nenhum tucano seja pianista, anão do orçamento ou indiciado em CPI.
A defesa de FHC abre o primeiro dos oito itens do documento, em que os
tucanos reafirmam o orgulho pela competência, honestidade, coragem e o espírito democrático de Fernando Henrique. Ficou acertado que, antes de falar em nomes, os tucanos vão elaborar o programa do próximo governo, que servirá de base para o candidato e para a aliança.
Serra e o governador do Ceará, Tasso Jereissati, que disputam espaço dentro do partido e da aliança governista de olho na corrida presidencial de 2002, fizeram questão de sentar lado a lado e partilhar do discurso em favor do adiamento da discussão das candidaturas. Afinal, o manifesto apoiado por ambos diz que quem vai ditar as regras e comandar as negociações do processo sucessório é a nova executiva nacional que só será eleita na convenção marcada para 19 de maio.
Os cardeais do PSDB não têm a ilusão de que o documento possa impedir os presidenciáveis de fazer campanha. Referem-se especialmente a Serra, apontado por todos, nos bastidores, como o que mais se movimenta para garantir uma boa posição na corrida sucessória.
O ministro foi o único tucano que não voltou para casa depois do encontro, estendendo ao domingo sua programação em Belém, para inaugurar um hospital ao lado do governador Almir Gabriel. Se a corrida presidencial começasse agora, ele largaria na frente, com a preferência de 10% do eleitorado segundo as pesquisas. O resultado da reunião não o impede de prosseguir a campanha, mas pelo menos inibe, avalia um dirigente do PSDB.


