Cúpula do PMDB promete barrar Paes de Andrade
Cúpula do PMDB promete
barrar Paes de Andrade
A cúpula governista do PMDB disse ontem ao presidente Fernando Henrique Cardoso que o diretório nacional do partido deve afastar Paes de Andrade da presidência do partido. Paes é contrário ao apoio à reeleição de FHC. O diretório nacional, que se reunirá em Brasília no dia 17, tem maioria governista. A decisão de reunir o diretório e substituir o presidente rebelde pelo líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), faz parte da estratégia de dar unidade de ação e de comando aos aliados do projeto da reeleição, para reverter a queda do candidato Fernando Henrique nas pesquisas eleitorais. Ou o presidente coordena o conjunto das forças que lhe dão apoio ou a aliança ficará sem comando, disse um dos dirigentes do PMDB.
Participaram da conversa com Fernando Henrique no Planalto o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), o ministro peemedebista dos Transportes, Eliseu Padilha, e os líderes no Senado e na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima (BA). A avaliação geral foi a de que a tendência de queda do candidato Fernando Henrique pode ser revertida com o trabalho afinado dos aliados. As pesquisas serviram para nos dar um alerta, e não um susto, porque o desgaste do governo é real, mas não é definitivo, observou o líder Geddel.
O encontro também serviu para fazer uma avaliação do quadro eleitoral em cada um dos 27 Estados. E neste ponto, a substituição de Paes pelo líder Jáder Barbalho é útil não apenas para o comando nacional da campanha da reeleição como para o entendimento entre os aliados no Pará do governador tucano Almir Gabriel. Jáder Barbalho só admite retirar-se da disputa pelo governo estadual, contra Almir Gabriel, em nome de um projeto nacional. Leia-se, aí, a presidência do PMDB, que lhe garantirá uma cadeira no comitê nacional da campanha da reeleição, onde deverá defender os interesses do partido em todos os Estados.
Na análise do quadro eleitoral, o Ceará foi apontado como o Estado-problema para o Planalto. É de lá que vem toda a loucura, resume um dirigente do PMDB. (AE)





