Brasília - O PMDB sepultou ontem a prévia presidencial do partido, tornando remota a chance de candidatura própria ao Planalto, e deu mais um passo para se aliar ao pré-candidato tucano, José Serra.
Os governistas do PMDB, ligados ao presidente Fernando Henrique Cardoso, deram demonstração de força. Fizeram uma pré-convenção em Brasília com quórum maior do que a patrocinada pela ala oposicionista domingo passado em São Paulo.
Por maioria absoluta (356 de 691 votos), cancelaram a prévia presidencial prevista para o dia 17 deste mês. O quórum dos governistas também indica que eles têm mais força no partido. Obtiveram a presença de 285 dos 493 delegados. Na convenção que vale legalmente, prevista para ocorrer entre 10 e 30 de junho, a tendência é haver uma situação semelhante.
Apesar da vitória governista, a ala oposicionista, que defende a candidatura própria, pretende realizar a prévia, criando um fato político e tentando, na Justiça Eleitoral, impedir uma aliança com um outro partido. A via jurídica é o melhor caminho para os oposicionistas, que sofreram uma derrota política hoje. Eles vão tentar revalidar a prévia e tornar sem efeito legal a pré-convenção de ontem, o que é difícil.
‘‘Vamos fazer a prévia nos Estados que, somados, representam mais de 80% do eleitorado. Vamos ter maioria esmagadora e criar um fato político irreversível a favor da candidatura própria. Se for necessário, iremos à Justiça impedir alianças’’, disse Alexandre Dupeyrat, assessor do governador Itamar Franco (MG) e estrategista do grupo oposicionista.
O presidente nacional do PMDB, o deputado federal Michel Temer (SP), rebateu Dupeyrat: ‘‘A prévia está prejudicada. Eles não poderão fazê-la de forma legal, porque o que vale é a decisão da pré-convenção de hoje (ontem). Há uma dissidência, mas a maioria do PMDB mostrou que deseja discutir com outros partidos uma forte aliança’’.

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