A cúpula do PFL decidiu aprovar o processo de impeachment do governador de Santa Catarina, Paulo Afonso Vieira (PMDB), e de seu vice, José Augusto Hulse, por causa das irregularidades na emissão de títulos públicos para pagar precatórios. A decisão dificultará muito a permanência de Paulo Afonso no governo, pois o PFL é o fiel da balança na Assembléia Legislativa, que vai julgar o afastamento do governador. O partido tem 8 deputados.
O PMDB tem 11 dos 40 votos da Assembléia Legislativa e precisa reunir mais três para barrar o impeachment. Encarregada de elaborar um ‘‘parecer de aconselhamento’’ à executiva regional, que se reúne na sexta-feira, a cúpula pefelista propôs ontem o fechamento de questão a favor do afastamento de Paulo Afonso e a transformação do voto secreto em voto aberto, para evitar a surpresa das traições que poderiam salvar o governador.
‘‘O PFL não almeja a cadeira do governador nem tem candidato para substitui-lo num mandato-tampão’’, garantiu ontem o deputado Paulo Bornhausen (PFL-SC). Os pefelistas não descartaram a hipótese de assumir o governo por um ano e meio, mas preferem se guardar para um mandato completo, disputado nas urnas de 1998. ‘‘Vamos ter candidato próprio e só aceitamos coligação se o PFL der o cabeça-de-chapa’’, antecipou o embaixador brasileiro em Portugal, Jorge Bornhausen, que veio ao Brasil especialmente para definir a questão catarinense.
Caso seja aprovado o impeachment, a Assembléia Estadual ficará encarregada de escolher o novo governador pela via indireta, pois o vice também será afastado. Nenhum partido tem maioria na Assembléia. O PPB do senador Esperidião Amin (SC) tem 12 votos, um a mais do que o PMDB, os deputados petistas somam 5; o PDT tem dois representantes e o PSDB outros dois, incluindo aí o presidente da Assembléia, Francisco Kuster.
Relator O relator da comissão especial da Assembléia Legislativa catarinense, deputado Jaime Mantelli (PDT), acatou as denúncias contra o governador Paulo Afonso Vieira (PMDB), o vice-governador José Augusto Hulse, o secretário da Fazenda, Paulo Prisco Paraíso, e o procurador-geral do Estado, João Carlos Von Hohendorff. Seu parecer preliminar, entregue ontem, pede o impeachment das quatro autoridades por crime de responsabilidade pela participação na emissão irregular de R$ 605 milhões em títulos públicos.

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