Cúpula do PDT pede renúncia coletiva
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segunda-feira, 18 de agosto de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
A direção estadual do PDT encaminhou ontem ao presidente nacional do partido, ex-governador Leonel Brizola, um pedido de renúncia coletiva. Brizola ainda não definiu quem integrará a comissão provisória que assume o partido ainda nesta semana. Disse que quer ouvir antes a vice-governadora Emília Belinati, o prefeito de Londrina Antonio Belinati e o presidente nacional do Instituto Alberto Pasqualine, Newton Friederich.
Irritado com a debandada da executiva estadual, Brizola ameaçou ontem à noite, em entrevista à Folha, entrar na Justiça Eleitoral contra o governador Jaime Lerner. Segundo ele, Lerner está usando a estrutura do Palácio Iguaçu para cooptar prefeitos e influenciar nos destinos do partido do qual ele se desfiliou.
Foi o próprio Brizola quem forçou a auto-dissolução do diretório regional. O então presidente José Francisco Pereira só tomou a decisão depois de se sentir pressionado a assinar uma nota oficial criticando o governador e dando conta que a desfiliação de Lerner não acaba com o PDT. Foi muita safadeza e eu não gosto de ser conduzido, reclamou Pereira, depois de uma reunião tensa com o emissário de Brizola, secretário de organização partidária do PDT, Manoel Dias, em Curitiba.
Antes de pedir demissão do cargo, o ex-presidente estadual do PDT, José Francisco Pereira, contestou as informações do Palácio Iguaçu de que 90 dos 111 prefeitos do PDT estariam dispostos a deixar o partido para seguir o governador Jaime Lerner. Não recebi nenhum pedido ainda. Existem prefeitos que são do PDT independentemente do Jaime (Lerner) estar ou não na sigla. É muito cedo para querer fazer um levantamento, declarou.
Pereira disse que enquanto ficou no comando somente o prefeito de Curitiba Cássio Taniguchi pediu desligamento do PDT. Além dele, apenas os vereadores, secretários municipais e de Estado que participaram da reunião decisiva de sexta-feira, no Chapéu Pensador - o gabinete ecológico do governo localizado numa das subestações da Copel em Curitiba - oficilizaram a saída.
O presidente demissionário do PDT admite, no entanto, que muitos prefeitos estão recebendo ligações do Palácio Iguaçu. Eles retornam a ligação para mim, e querem saber como é que vai ficar a situação do diretório, diz Pereira. Segundo ele, a possibilidade de uma intervenção nacional no comando estadual é o que mais agita os prefeitos do PDT, que em boa parte deseja continuar integrando a base de sustentação do governo no interior.
Taniguchi rebate, confirma os números, e diz que as desfiliações deverão ser confirmadas no decorrer da semana. Ele confirma que o Palácio Iguaçu está empenhado, desde o último sábado, a convencer os prefeitos pedetistas a seguirem Lerner. Já estabelecemos algumas preferências partidárias que podem ser seguidas pelos prefeitos e vereadores nossos, ressalvou o prefeito, referindo-se ao PFL e PTB.
Dos dez vereadores do PDT em Curitiba, apenas seis seguem com certeza a decisão de Lerner. Jorge Bernardi já anunciou que fica no PDT. Enquanto que o presidente da Câmara, João Claudio Derosso; o vice Ailton Araújo e Custódio da Silva aguardam para tomar posição. Os três são integrantes da mesa executiva da Câmara. O regimento interno proíbe que seus componentes mudem se sigla, sob pena de perderem os cargos.
Taniguchi disse ontem que o grupo político de Lerner está estudando uma fórmula de compatibilizar a questão partidária com a permanência nas funções, estratégicas para o prefeito no Legislativo. Vamos encontrar uma saída, aposta.


