Brasília - As suspeitas de corrupção no IRB (Instituto de Resseguros do Brasil) resultaram ontem na demissão da cúpula da instituição. O Ministério da Fazenda, em nota, divulgou que ''aceitou'' o pedido de afastamento do presidente do instituto, Luiz Appolonio Neto, e dos integrantes da diretoria, seguindo orientação do presidente da República.
Para o lugar de Appolonio - sobrinho de deputado Delfim Netto (PP-SP) -, o ministro Antonio Palocci Filho indicou o ex-secretário de Política Econômica Marcos Lisboa e determinou que ele comande o processo de privatização do instituto. Em abril, Lisboa deixou o cargo no Ministério da Fazenda por motivos pessoais, segundo a versão oficial.
As denúncias de irregularidades no IRB ganharam fôlego na semana passada, quando a revista ''Veja'' noticiou que o presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), exigia mesada de R$ 400 mil por mês do ex-presidente do instituto Lídio Duarte, indicado pelo partido para ocupar a posição.
Há dois meses, Duarte pediu demissão do cargo por não aguentar a pressão. Appolonio foi escalado por Palocci para preencher a vaga, atendendo a indicação de Delfim Netto. ''A aceitação do afastamento da diretoria do IRB não implica qualquer prejulgamento em relação às denúncias veiculadas na imprensa'', afirma a nota da assessoria de Palocci.
Segundo o comunicado, isso permitirá uma ''apuração rápida, isenta e de maior transparência junto à opinião pública''. Além de Appolonio, foram afastados o vice-presidente do IRB e outros três diretores.
Apesar de o Ministério da Fazenda não falar em demissão da cúpula - o termo usado é ''afastamento'' -, a própria nota indica que a passagem de Lisboa no cargo não será breve. No texto, a Fazenda diz que Palocci solicitou a Lisboa que, depois de aprovado o projeto de lei sobre a abertura do mercado de resseguros, ele conduza o processo de cisão do IRB e venda da carteira de operações comerciais. Isso na prática significará a privatização do instituto.
O projeto para quebra do monopólio estatal no setor de resseguros foi enviado pelo Executivo ao Congresso no mês passado. A medida faz parte da agenda de reformas microeconômicas divulgada pela equipe econômica. Um dos mentores de tal agenda foi o próprio Lisboa.
Atualmente, o IRB é uma sociedade de economia mista, cujo comando está nas mãos do Ministério da Fazenda. Poucos países no mundo ainda mantêm sob o controle do Estado o mercado de resseguros. Desde o ano passado, Palocci já havia sido informado dos problemas de corrupção no IRB, mas preferiu adotar medidas que dificultassem o desvio de recursos em vez de substituir o comando do instituto.

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