Cunhada de Vaccari nega acusações
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segunda-feira, 20 de abril de 2015
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba Em depoimento prestado na tarde de ontem na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba, Marice Corrêa de Lima, cunhada do ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, negou ter lavado dinheiro em transações financeiras ou recebido qualquer dinheiro por meio do doleiro Alberto Youssef, conforme apontam investigações da PF e Ministério Público Federal (MPF).
Ela foi ouvida por cerca de duas horas, acompanhada de seu advogado Cláudio Pimentel. Marice se entregou na última sexta-feira, depois de ter expedido em seu nome um mandado de prisão temporária. O prazo para a temporária termina hoje e o juiz federal Sérgio Moro deve decidir se expede um alvará de soltura da investigada ou se converte a prisão em preventiva. Até o fechamento da edição o magistrado ainda aguardava a manifestação do MPF sobre a questão.
Segundo as investigações, Marice é suspeita de comprar um apartamento no Guarujá, no litoral paulista, por aproximadamente R$ 200 mil. Depois, ela desistiu do negócio e recebeu R$ 432 mil da construtora OAS, envolvida no esquema de cartel que desviava recursos da Petrobras. Por fim, a empreiteira revendeu o imóvel por R$ 337 mil, valor inferior ao pago para Marice. Para os investigadores, é um apontamento de lavagem de dinheiro.
"Ela respondeu a todas as perguntas e prestou muitos esclarecimentos. Reforça que todas as operações financeiras realizadas por ela foram legais", disse o advogado Pimentel ao sair do interrogatório de sua cliente.
A cunhada de Vaccari também foi citada em depoimento do delator Alberto Youssef, um dos operadores do esquema. Ele disse aos investigadores que Vaccari recebeu propina da Toshiba, depois de a empresa ganhar uma licitação para prestar serviço no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Metade do valor da propina, de R$ 400 mil, teria sido entregue diretamente para Marice, identificada pelo londrinense como emissária de Vaccari. "Isso não é verdade. Ela nega ter recebido qualquer dinheiro de Youssef. Não haverá dificuldade em provar a inocência dela", completou o defensor.
Sobre a demora para se entregar após ter a prisão preventiva decretada, o advogado ressaltou que Marice estava viajando a trabalho no Panamá. Segundo Pimentel, ela exerce o cargo de diretora financeira da Confederação Sindical das Américas (CSA) e estava no evento em razão de trabalhar para o órgão. "Ela esclareceu sua ida ao Panamá sem problema nenhum, foi a um congresso internacional, do qual ela faz parte", disse o advogado sem dar maiores detalhes do depoimento.


