Curitiba - A cunhada do tesoureiro afastado do Partido dos Trabalhadores (PT) João Vaccari Neto, Marice Correa de Lima, que está com o mandado de prisão temporária em aberto, deve se entregar às autoridades hoje. Ela teve o mandado expedido na última quarta-feira quando foi deflagrada a 12ª fase da Lava Jato, entretanto, ela não foi encontrada em sua residência na capital paulista. Os defensores de Marice entraram em contato ontem de manhã com os delegados da PF em Curitiba, e informaram a intenção da cunhada de Vaccari de se apresentar.
O mandado de prisão temporária tem prazo de cinco dias e pode ser prorrogado pelo mesmo período. A data passa a valer a partir da prisão. Durante a operação, a PF também cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa de Marice e apreendeu vários documentos.
Marice é suspeita de comprar um apartamento no Guarujá, no litoral paulista, por aproximadamente R$ 200 mil. Depois, ela desistiu do negócio e recebeu R$ 432 mil da construtora OAS, envolvida no esquema de cartel que desviava recursos da Petrobras. Por fim, a empreiteira revendeu o imóvel por R$ 337 mil, valor inferior ao pago para Marice. Para os investigadores, é um apontamento de lavagem de dinheiro. A cunhada de Vaccari também foi citada em depoimento do delator Alberto Youssef, um dos operadores do esquema. Ele disse aos investigadores que Vaccari recebeu propina da Toshiba, depois de a empresa ganhar uma licitação para prestar serviço no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Metade do valor da propina, de R$ 400 mil, teria sido entregue diretamente para Marice, identificada pelo londrinense como emissária de Vaccari.

NA CARCERAGEM
O advogado Elias Mattar Assad que representa o escritório que defende Vaccari em Curitiba apenas informou que o cliente está bem, calmo e tranquilo após o primeiro dia na carceragem da PF. Ele já é réu em um dos processos que estão tramitando na Justiça Federal do Paraná. "Ele estava respondendo as acusações em liberdade, sempre colaborou e esteve a disposição da Justiça. Por isso está com algumas interrogações a respeito dessa medida prisional", afirmou Mattar Assad.
Vaccari está dividindo a cela na carceragem da PF, mas o órgão não informou com quem ele está no espaço. A FOLHA apurou que o ex-tesoureiro do PT deve ser ouvido nos próximos dias, mais provavelmente durante o final de semana. (R.C.Jr.)

mockup