Cunha rompe com Planalto e cria CPIs contra o governo
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sexta-feira, 17 de julho de 2015
Mariana Haubert <br>Folhapress 
Brasília - Poucas horas após ter oficializado o seu rompimento com o governo e se declarar como oposição, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), já promoveu a primeira ação contra o Planalto. Ele autorizou, na tarde de ontem, a criação de três Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs). Uma delas, a que investigará irregularidades de empréstimo pelo BNDES, preocupa o governo. As CPIs serão instaladas em agosto, quando o Congresso retornará do recesso. Além destas três, a comissão que investigará irregularidades em fundos de pensões de estatais também será criada no próximo mês. Tanto a do BNDES quanto a dos fundos de pensão fazem parte do arsenal de Cunha para retaliar o Planalto.
Nesta sexta, o peemedebista anunciou o seu rompimento pessoal com o governo da presidente Dilma Rousseff e disse que agora será oposição. Cunha acusou o governo de ter orquestrado uma campanha contra ele na Operação Lava Jato e disse que há um "bando de aloprados" no Planalto. Na quinta-feira, ele foi acusado pelo lobista Júlio Camargo de receber US$ 5 milhões de propina. O deputado, que nega as acusações, criticou os procedimentos do juiz Sérgio Moro, que tomou o depoimento de Camargo. Os requerimentos de criação das CPIs foram lidos em plenário pelo deputado Hildo Rocha (PMDB-MA), que presidiu a sessão de debates desta sexta.
As CPIs podem ser criadas agora porque outras três comissões de inquérito encerraram suas atividades nos últimos dias. Ainda estão ativas as CPIs da Petrobras e do Sistema Carcerário - esta última será encerrada em seis de agosto, o que abrirá espaço para a comissão dos fundos de pensão. As outras duas comissões investigarão crimes cibernéticos e maus tratos contra animais.
A instalação das comissões dependerá agora da indicação de integrantes, o que será feito pelos partidos. Para dar espaço para a criação das CPIs do BNDES e dos fundos de pensão, o presidente arquivou outros pedidos de criação de CPIs que estavam na frente na lista de espera de instalação. Cunha alegou que elas não tinham os pré-requisitos necessários. Estavam na frente pedidos para investigar o setor elétrico, o atendimento à mulheres vítimas de agressão, o desabastecimento de água no país e o setor de telefonia fixa e móvel. Pelas regras da Casa, apenas cinco comissões de inquérito podem funcionar ao mesmo tempo. Rocha foi um dos deputados que ficou ao lado de Cunha durante toda a entrevista coletiva concedida por Eduardo Cunha na manhã de ontem, quando ele se defendeu das acusações de ter recebido propina.
Em rota de colisão com o Planalto desde que assumiu a presidência da Câmara, no início do ano, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) Cunha afirmou na manhã de ontem que, a partir de agora, será oposição. Mas enfatizou que não atuará contra o governo como presidente da Casa. "Estou oficialmente rompido com o governo a partir de hoje. [...] Teremos a seriedade que o cargo ocupa. Porém, o presidente da Câmara é oposição ao governo", disse. Ele acusou o governo de ter orquestrado uma campanha contra ele no âmbito da Lava Jato e disse que há um "bando de aloprados" no Planalto, mas se negou a responder quem seriam essas pessoas.
Segundo ele, o envolvimento de seu nome nas investigações é "tudo vingança do governo". "Parece que o Executivo quer jogar a sua crise no Congresso", disse. Cunha afirmou também que não será arrastado "para a lama" em que o governo se envolveu em atos de corrupção na Petrobras. "Essa lama em que está envolvida a corrupção da Petrobras, cujos tesoureiros do PT estão presos, eu não vou aceitar estar junto dela".
O parlamentar garantiu ter provas da atuação do governo contra ele e informou que a Receita Federal está fazendo uma devassa fiscal em suas constas desde 23 de junho. "É um constrangimento a um chefe de poder", disse.
O presidente da Câmara disse, ainda, que defenderá o rompimento imediato do PMDB com o governo no próximo congresso do partido, que acontecerá em setembro. Questionado sobre como ficaria o vice-presidente da República, Michel Temer - que é presidente nacional do PMDB - com a situação, Cunha afirmou não ver problema em o partido sair do governo e ainda assim Temer continuar como vice-presidente.
Por meio da assessoria de imprensa da Justiça Federal do Paraná, o juiz federal Sérgio Moro divulgou uma nota oficial sobre as declarações feitas por Cunha. "A 13ª Vara de Curitiba conduz ações penais contra acusados sem foro privilegiado em investigações e processos desmembrados pelo Supremo Tribunal Federal. Não cabe ao Juízo silenciar testemunhas ou acusados na condução do processo."


