Brasília - Em uma sexta-feira atípica, a Câmara dos Deputados teve sessão plenária. Numa ação para acelerar a tramitação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, os oposicionistas conseguiram ontem dar quórum num dia normalmente esvaziado e garantir que o prazo de apresentação da defesa da petista começasse a contar.
O esforço dos partidos de oposição fez com que o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), já apostasse em um prazo menor do que 45 dias para que o processo seja concluído na Câmara.
Menos de 24 horas após a instalação da Comissão Especial do impeachment, os oposicionistas arregimentaram 66 deputados para abrir a sessão, quando o mínimo necessário é de 51 parlamentares A reunião desta sexta já descontou das 10 sessões em plenário estipuladas para a apresentação da defesa. Esgotado o prazo de defesa, o relator do processo, Jovair Arantes (PTB-GO), terá cinco sessões para elaborar seu parecer.
Diferentemente de outras sextas-feiras, o presidente da Câmara fez questão de abrir a sessão e agradecer a presença dos parlamentares, destacando a importância do momento para o País. Cunha defendeu que o processo de impeachment seja abreviado. "É bom para todo mundo que esse processo seja mais rápido", declarou.

Em sintonia com os partidos de oposição desde que veio à tona o conteúdo da delação premiada do senador Delcídio Amaral (sem partido-MS), Cunha acertou que, para acelerar o trâmite processual, começará a convocar sessões todos os dias da semana (com exceção do feriado da Páscoa). Os oposicionistas pretendem se revezar em esquema de rodízio para dar quórum. Com a sessão de sexta, Cunha disse que será possível levar o impeachment ao plenário antes dos 45 dias previstos anteriormente.

REQUERIMENTOS
A oposição já protocolou na comissão especial 32 requerimentos, entre convites e convocações. DEM, Solidariedade, PPS, PSB e até o PRB, recém-saído da base governista, propõem a convocação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e convite para que a presidente venha se explicar.

Na lista das propostas de convite também estão o juiz da Operação Lava Jato, Sérgio Moro, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o delegado da Polícia Federal Igor Romário de Paula, o delegado-geral da PF, Leandro Daiello, o procurador da República Deltan Dallagnol e o presidente da OAB, Claudio Lamachia. Há pedido até para que seja convidado o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki.

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