Cunha pede acareação para Dilma, Mercadante e Edinho
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segunda-feira, 20 de julho de 2015
Luciana Nunes Leal<br>Agência Estado 
Rio - O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), insistiu ontem que, se for submetido a acareação com o executivo Julio Camargo, também a presidente Dilma Rousseff e os ministros da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, todos dos PT, devem ser confrontados com delatores da Operação Lava Jato.
"Não tem nenhum problema. Mas aproveita e chama o Mercadante e o Edinho Silva para acarear com o (empreiteiro) Ricardo Pessoa e a Dilma para acarear com o (doleiro Alberto) Youssef. Acho oportunista querer falar em acareação. Estou disposto a fazer em qualquer tempo. Aproveitem e convoquem todos os que estão em contradição. O ministro Mercadante e o ministro Edinho negam o que foi dito por Ricardo Pessoa. A presidente nega o que foi colocado pelo Youssef. Que façam acareação de todos", disse Cunha após almoço organizado pela Associação de Emissoras de Rádio e TV do Rio de Janeiro (Aerj).
O pedido de acareação entre Cunha e Camargo foi protocolado pela deputada Eliziane Gama (PPS-MA) na CPI da Petrobras. Camargo disse ter sido pressionado por Cunha a pagar US$ 5 milhões em propina. Youssef apontou o peemedebista como beneficiário de propinas e acusou Cunha de ameaçar sua família.
Edinho Silva e Aloizio Mercadante teriam sido citados, segundo a revista Veja, pelo dono da UTC Ricardo Pessoa em delação que tramita em segredo de Justiça. Mercadante teria recebido R$ 250 mil da empreiteira via esquema de desvios na Petrobras, que também teria sido utilizado para as doações oficiais à campanha de Dilma em 2014. Edinho era o tesoureiro da campanha presidencial do PT.
Dilma foi mencionada por Youssef, que afirmou, sem provas, que ela e o ex-presidente Lula tinham conhecimento do esquema de propinas. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, entendeu que não caberia investigação contra Dilma.
Cunha voltou a negar que, depois de romper com o governo, pretenda apresentar na Câmara uma pauta contrária à presidente. "Não estamos querendo tacar fogo no País, nenhuma pauta bomba. É o normal que está sendo tratado (na pauta da Câmara). Se o normal incomoda, é outro problema. O fato de ter mudado meu alinhamento político com o governo não significa que vá mudar como presidente da Câmara. Minha militância partidária como deputado e como político é que está em discussão", afirmou.
Presente ao almoço, o presidente do PMDB-RJ, deputado estadual Jorge Picciani, defendeu a convocação do Conselho Nacional do partido, uma das instâncias de deliberação. "Se queremos uma posição partidária que possa nortear os militantes, tem que convocar o Conselho Nacional", afirmou. O líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani, considerou "açodamento" a posição do deputado Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) de que Cunha deve se afastar da presidência da Câmara até o fim das investigações. "Ninguém pode ter condenação antecipada."
Uma das maiores adversárias de Cunha, a deputada Clarissa Garotinho (PR-RJ), também defende a saída do peemedebista do comando da Câmara. "A presença do deputado Eduardo Cunha na presidência da Câmara só agrava a crise institucional. Ele usa os erros do PT como escudo para esconder os próprios erros. Diz que as acusações contra ele são armação do PT. Como é possível, se a Operação Lava Jato está atingindo em cheio o PT? O rompimento com o governo não faz sentido. Quem conhece Eduardo Cunha sabe que é vingativo, rancoroso. É muito ruim a presença dele na presidência da Câmara", disse ela, filha do ex-governador Anthony Garotinho, ex-aliado, hoje inimigo de Eduardo Cunha.


