Cunha nega propina de R$ 45 mi do BTG
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terça-feira, 01 de dezembro de 2015
Daniel Carvalho, Daiene Cardoso e Igor Gadelha<br> Agência Estado 
Brasília - Dizendo-se vítima de "armação" e "armadilha" em uma "situação absurda", o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou ontem que pode ter sido "plantada" a menção ao suposto pagamento de propina por parte do BTG Pactual para que fosse alterada uma Medida Provisória que beneficia bancos em liquidação. De acordo com a Procuradoria-Geral da União (PGR), um documento colhido por investigadores da Operação Lava Jato na residência de Diogo Ferreira, chefe de gabinete do senador Delcídio Amaral (PT-MS), aponta suposto pagamento de R$ 45 milhões a Cunha para alterar medida que beneficiaria o banco de André Esteves. O banqueiro, o chefe de gabinete e o senador foram presos na semana passada.
Com papéis em mãos, Cunha concedeu entrevista coletiva reafirmando que apresentou duas emendas à Medida Provisória 608/2013, editada pelo governo em março de 2013. O texto trata de créditos tributários. A primeira emenda de Cunha era um "jabuti" que tratava da obrigatoriedade do exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A segunda retirava da MP artigo que tratava de benefícios envolvendo bancos em liquidação. "Se estou provando que os meus atos são contrários ao que está sendo noticiado, obviamente que a anotação ou qualquer coisa, além de ser mentirosa, só pode ser fruto de uma armação."
No documento apreendido, Diogo Ferreira teria feito um roteiro de uma das reuniões entre Delcídio e Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras que gravou as conversas entre os dois. No encontro, o senador teria dito que conversaria com ministros do Supremo Tribunal Federal para viabilizar um habeas corpus para o ex-dirigente da estatal preso em Curitiba.
No verso do papel, há o seguinte texto: "Em troca de uma emenda à medida provisória nº 608, o BTG Pactual, proprietário da massa falida do banco Bamerindus, o qual estava interessado em utilizar os créditos fiscais de tal massa, pagou ao deputado federal Eduardo Cunha a quantia de R$ 45 milhões. Pelo BTG participaram da operação Carlos Fonseca, em conjunto com Milthon Lyra". Não há especificação se o texto em que há menção a Cunha é manuscrito ou impresso.


