Brasília - O presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), usou toda a força política para tentar votar hoje a medida provisória (MP) que fixa o salário mínimo em 260 reais e reverter a derrota sofrida pelo governo na semana passada, quando o Senado aprovou um valor de 275 reais. Apesar do descontentamento de aliados, Cunha cedeu aos partidos de oposição e concordou com a votação nominal do mínimo de 260 reais. Em troca, os oposicionistas comprometeram-se a não obstruir a sessão de hoje.
Além disso, para garantir a presença no plenário dos deputados do Nordeste interessados em participar das festas juninas nas regiões de origem, Cunha pediu às companhias aéreas que ponham vôos extras hoje à tarde. O momento mais forte das festas juninas no Nordeste é a noite de hoje para amanhã.
''Fizemos um levantamento dos vôos e estamos vendo se é possível fazer alguma conexão que facilite o vôo dos deputados'', disse Cunha, que fez uma reunião anteontem à noite em sua residência com nove ministros de Estado para montar a estratégia de votação do mínimo. O vice-presidente da Câmara, Inocêncio Oliveira (PFL-PE), explicou que, se o pedido de Cunha for atendido pelas companhias, haverá três vôos extras para o Nordeste.
Os líderes dos partidos aliados estão confiantes na aprovação hoje do mínimo de 260 reais. Estão preocupados apenas com o quórum na Câmara em função das festas juninas, das convenções partidárias para escolher os candidatos às eleições municipais, além do velório do ex-governador do Rio e presidente nacional do PDT, Leonel Brizola. ''Se tivermos aqui acima de 300 deputados, poderemos votar a MP do mínimo'', afirmou o líder do governo na Câmara, Professor Luizinho (PT-SP). Segundo ele, o mínimo de 260 reais será facilmente aprovado, mas com uma margem menor do que na primeira votação da MP, dia 2.

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