Brasília - O deputado federal Odair Cunha (PT-MG) já admite alterar o relatório final da CPI do Cachoeira se não houver acordo sobre seu conteúdo. A leitura do texto foi adiada para hoje por pressão da oposição que não concorda com pontos do relatório. Cunha afirmou que vai abrir a discussão na próxima semana e que vai aguardar o plenário da CPI levantar os pontos de desavença. Segundo ele, mesmo que não concorde, se houver consenso, o relatório será alterado.
Um dos pontos polêmicos que deve ser retirado do texto, na opinião do próprio relator, é o pedido de indiciamento do jornalista Policarpo Junior, da revista ''Veja'', que tinha o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, como fonte. ''Fomos pegos de surpresa'', afirmou o deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ), que disse ser contrário ao indiciamento do jornalista.
A oposição também não aceita o pedido de investigação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. ''Foi uma decisão minha incluir o Gurgel'', afirmou o relator, rebatendo críticas de que o fez atendendo ao PT. O procurador foi responsável por defender no Supremo Tribunal Federal (STF) a condenação de petistas envolvidos com o esquema do mensalão. O relatório da CPI pediu o indiciamento alegando que ele prevaricou ao dar andamento às investigações de políticos com Cachoeira em 2012, quando o pedido foi de 2008. Gurgel sustenta que fez isso para não prejudicar outra investigação, aberta apenas em 2010, que desvendou uma quadrilha que seria operada por Cachoeira.

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