Brasília - A procuradoria-geral da República enviou às 20h11 de ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF) 28 pedidos de investigação sobre políticos envolvidos na Operação Lava Jato. Também foram enviados sete pedidos de arquivamento relativos a políticos que foram citados, mas, quando os procuradores analisaram os fatos, não consideraram os indícios fortes o suficiente para a abertura de inquéritos. Ao todo, 54 pessoas estão envolvidas nas investigações. Como tanto os pedidos de abertura de inquérito quanto os de arquivamento podem ter mais de uma pessoa, não é possível saber, neste momento, quantas efetivamente serão investigadas. Como a "Folha de S.Paulo" revelou em janeiro, um dos políticos que terá um inquérito aberto para apurar se participou ou não do esquema é o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ele sempre negou qualquer tipo de envolvimento. Outro avisado que estará na lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, é o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Nos pedidos de investigação, Janot pediu ao ministro relator dos processos, Teori Zavascki, que levante o sigilo das peças. A expectativa é que o magistrado acate o pedido e, nos próximos dias, torne públicas as petições. Quando isso acontecer, será possível se acompanhar os nomes dos investigados, bem como os crimes pelos quais são suspeitos, pelo site do STF.
Fontes das bancadas do PMDB na Câmara dos Deputados e no Senado Federal revelaram que os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), teriam sido informados, pelo vice-presidente Michel Temer, na última sexta-feira, sobre a inclusão de seus nomes na lista dos políticos envolvidos na Operação Lava Jato.
Na tarde de ontem, Temer informou, por meio de sua assessoria, que não recebeu nenhum dos nomes da lista. Segundo a assessoria do vice-presidente, como Temer não foi comunicado de nenhum nome, não teria condições de repassar a informação para qualquer pessoa.
O vice-presidente recebeu Janot em sua residência oficial, o Palácio do Jaburu, na manhã da última quinta-feira, em agenda que só foi divulgada posteriormente. Na ocasião, foi divulgado que a reunião teve como assunto questões orçamentárias do Ministério Público Federal.
No Twitter, Eduardo Cunha negou que tenha recebido a informação. Também o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), negou ter sido procurado. "Não tenho nenhuma informação", respondeu Renan ao deixar a reunião de líderes partidários do Senado.
Na noite dessa segunda-feira, o procurador-geral recebeu uma vigília do movimento "Vem para Rua" na sede da PGR em Brasília. "Vamos trabalhar com tranquilidade, com equilíbrio, e quem tiver que pagar vai pagar", disse Janot.

mockup