Cunha diz ter aneurisma e reclama da prisão
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quarta-feira, 08 de fevereiro de 2017
Estelita Hass Carazzai<br>Folhapress 
Curitiba - Em audiência com o juiz Sérgio Moro nessa terça (7), o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) leu uma carta em que disse ter um aneurisma e reclamou da falta de tratamento na prisão onde está detido. Réu na Operação Lava Jato, Cunha escreveu a carta de próprio punho, em sua cela no Complexo Médico Penal, em Pinhais, onde está detido há quase quatro meses.
A declaração de Cunha ocorre menos de uma semana após a morte da ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva, que era ré na Lava Jato e sofreu um acidente vascular cerebral em janeiro.
Esta foi a primeira vez em que o ex-deputado falou a Moro, durante audiência de interrogatório, que durou cerca de três horas.
Ele também carregava um calhamaço de documentos, na chegada ao prédio da Justiça Federal.
O político tem acompanhado pessoalmente todas as audiências do processo - o que não é comum a outros réus presos na Lava Jato. Em ocasiões anteriores, sentou ao lado do seu advogado, fez anotações e cochichou instruções e comentários aos defensores, durante os depoimentos de testemunhas.
O ex-deputado é réu sob acusação de receber R$ 5 milhões de propina em contas na Suíça, abastecidas com dinheiro de contratos de exploração de petróleo da Petrobras na África. Ele é suspeito de interceder em favor da empresa vencedora do negócio.
O peemedebista nega irregularidades e diz que as contas pertencem a trusts (instrumento jurídico usado para administração de bens e recursos no exterior), e foram abastecidas com recursos lícitos.
RECURSO NO STF
O novo relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, manteve o julgamento de um recurso do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na pauta do plenário do STF nesta quarta-feira (8). A defesa de Cunha pede a anulação da prisão preventiva que lhe foi determinada pelo juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sérgio Moro. A confirmação de Fachin foi feita pessoalmente à imprensa, antes de entrar na primeira sessão da Segunda Turma do STF - estreia dele no colegiado que julga a maior parte dos processos da Lava Jato.
No recurso, dentro da reclamação 25.509, a defesa de Cunha pede a anulação da prisão preventiva determinada por Moro, alegando que o juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba descumpriu decisão do próprio Teori, que havia arquivado um pedido de prisão feito pela Procuradoria-Geral da República logo após a cassação do peemedebista.
Teori já havia negado o recurso, mas resolveu encaminhar ao julgamento da Segunda Turma do STF em dezembro. Depois, retirou da pauta da Segunda Turma e remeteu para o plenário. A presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, marcou para esta quarta. O julgamento ocorrerá no dia em que Fachin completa uma semana como relator dos processos relacionados à Lava Jato no STF. (Colaboraram Breno Pires e Rafael Moraes Moura/Agência Estado)


