Cunha diz que governo quer 'sócio na lama'
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sábado, 07 de março de 2015
Das agências 
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse ontem que o governo federal quer "sócio na lama", ao comentar o seu nome e de oposicionistas na lista de investigados da Procuradoria-Geral da República no caso Lava Jato. "Eu só entrei para poderem colocar Anastasia", ataca o deputado. Na lista divulgada nesta sexta-feira, o nome do senador e ex-governador de Minas Gerais Antonio Anastasia foi incluído. Ele é braço direito de Aécio Neves, líder da oposição e adversário de Dilma em 2014. Cunha aparece citado em mesmo depoimento de Anastasia.
Para o deputado, a peça da procuradoria é uma "piada" e foi uma "alopragem" de integrantes do governo, que, segundo acusa, teriam interferido junto ao procurador Rodrigo Janot para incluí-lo e a oposição na lista. "Sabemos exatamente o jogo político que aconteceu. O PGR agiu como aparelho visando a imputação política de indícios como se todos fossem participes da mesma lama. É lamentável ver o PGR, talvez para merecer sua recondução, se prestar a esse papel", postou no Twitter.
Cunha voltou a negar envolvimento com Fernando Soares, o Fernando Baiano e reafirma que o ex-diretor Nestor Cerveró foi indicado pelo senador Delcídio Amaral (PT-MS), que teve pedido de inquérito arquivado. "Fernando Soares nunca representou a mim nem ao PMDB", disse Cunha no Twitter.
A Procuradoria-Geral da República identificou uma estrutura de quatro núcleos no esquema de corrupção na Petrobras - político, administrativo, econômico e financeiro. Rodrigo Janot anotou que diretores da estatal pagavam mesada a deputados para terem apoio político e permanecerem em seus cargos por longo período. A base da investigação tem 34 parlamentares como alvo.
Segundo as denúncias, o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa atuavam nos contratos firmados pela Diretoria de Abastecimento. Eles revelaram que integrantes de partidos (núcleo político) indicavam os diretores da estatal (núcleo administrativo), que se valiam dos cargos para contratar empreiteiras previamente escolhidas em um cartel (núcleo econômico).
Esses diretores pagavam mensalmente, a título de propina, aproximadamente 3% do valor dos contratos aos integrantes dos partidos que participavam do esquema, aos agentes públicos e aos operadores financeiros. Estes ficavam em média com 20% da propina paga.
O pagamento era feito diretamente pelas empreiteiras aos agentes políticos ou por meio dos operadores (núcleo financeiro). Esse esquema funcionou, segundo os colaboradores, pelo menos de 2004 a 2012.
Segundo a Procuradoria, a repartição política "revelou-se mais evidente" em relação às seguintes diretorias: Abastecimento, ocupada por Costa entre 2004 e 2012, indicado pelo PP e posteriormente apoiado pelo PMDB; Serviços, ocupada por Renato Duque entre 2003 e 2012, por indicação do PT; e Internacional, dirigida por Nestor Cerveró entre 2003 e 2008, indicado pelo PMDB.
Para Janot, os "grupos políticos agiam em associação criminosa, de forma estável, com comunhão de esforços e unidade de desígnios para praticar diversos crimes, dentre os quais corrupção passiva e lavagem de dinheiro".


