Brasília - À espera da expedição do mandado de prisão por sua condenação no processo do mensalão, o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) almoçou ontem em uma tenda montada em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF) por manifestantes ligados ao PT que pediam a anulação do julgamento.
Questionado, ele não quis dizer se deixará o mandato quando for preso. "(A renúncia) é um assunto que não está colocado e eu prefiro não dizer", afirmou. Disse, porém, que tem recebido a solidariedade de outros parlamentares. "De ontem para hoje a quantidade de telefonemas que recebi de deputados me conforta demais, mas eu não poderia afirmar o que aconteceria (em um processo de cassação) porque não sei", disse.
João Paulo afirmou ainda que fará todos os recursos possíveis à condenação. "Tudo que estiver ao nosso alcance nós vamos utilizar, quer seja revisão, quer seja a busca a organismos internacionais, que se não for para rever, seja pelo menos para tomar conhecimento de que houve uma injustiça no Brasil, um processo permeado pela disputa política, um julgamento de exceção."
Acrescentou também que a visita aos manifestantes não foi uma "provocação" ao Supremo. "Os ministros do Supremo sabem que não sou de provocar ninguém", disse. "Fico feliz que tem um grupo de brasileiros que são solidários e essa solidariedade conforta", complementou.
Segundo ele, quando for preso, pedirá para estudar e trabalhar. Não deu detalhes sobre o emprego, mas afirmou que pretende concluir o curso de Direito (está no último ano) e cursar Letras, ainda que à distância.

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