Mais de 530 mil urnas eletrônicas foram utilizadas nas eleições do ano passado: objetivo do TRE é continuar 
levando esclarecimentos sobre a segurança dos equipamentos em escolas públicas e universidades
Mais de 530 mil urnas eletrônicas foram utilizadas nas eleições do ano passado: objetivo do TRE é continuar levando esclarecimentos sobre a segurança dos equipamentos em escolas públicas e universidades | Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil/7-10-2019

O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná terminou em Londrina uma série de audiências públicas pelo Estado que podem ser consideradas uma verdadeira cruzada contra as fake news. A iniciativa visa aumentar a transparência sobre os processos de auditoria e as etapas de verificação a que as urnas eletrônicas são submetidas. No Brasil, mais de 530 mil urnas foram utilizadas nas eleições do ano passado, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Os encontros promovidos pela Justiça Eleitoral do Paraná também ocorreram em Curitiba, Foz do Iguaçu e Maringá e serviram para o TRE reafirmar o compromisso em colocar em prática estratégias que poderão aumentar o envolvimento da sociedade civil no trabalho dos servidores públicos, como a divulgação de um e-book, ou livro virtual, contendo informações detalhadas.

De acordo com Gilmar José Fernandes de Deus, secretário de Tecnologia da Informação do TRE-PR, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve determinar a abertura dos códigos-fontes dos sistemas eleitorais permitindo um melhor entendimento por parte de profissionais do setor e acadêmicos. A medida já vem sendo mencionada desde antes das eleições do ano passado e, por enquanto, segue sem prazo para ser concretizada.

Entretanto, estas informações, cerca de 24 milhões de linhas de códigos referentes ao Kernel do sistema operacional Linux, um “tradutor” de informações eletrônicas do computador, e bibliotecas como OpenSSL, já são abertas para verificações do Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil e os próprios partidos políticos seis meses antes das eleições.

Já a outra medida dependeria ainda mais da cooperação destas entidades, além de investimentos. “Que eles desenvolvam softwares que rodem dentro da urna eletrônica junto com os nossos sistemas para verificar se o cálculo que nós estamos fazendo, de totalização e de registro do voto, bate com aquilo que é emitido pela Justiça Eleitoral”, explica o secretário.

CREDIBILIDADE DAS ELEIÇÕES

Imagem ilustrativa da imagem “Cruzada” contra às fake news esclarece mitos sobre urnas eletrônicas
| Foto: FOLHA ARTE

Estas e outras ações fazem parte de uma “cruzada” da Justiça Eleitoral motivada pelos efeitos causados, principalmente nos últimos três anos, por informações falsas veiculadas em redes sociais, sejam como postagens ou no formato de notícias, criadas com o intuito de colocar em xeque a credibilidade das eleições brasileiras.

Uma das mais “famosas”, lembra o secretário do TRE, afirmava que uma suposta empresa venezuelana de tecnologia seria a responsável pela construção das urnas, a Smartmatic. No entanto, Gilmar de Deus lembra que a informação chegou a ser desmentida em nota oficial pela própria empresa, que não é venezuelana e apenas prestou serviços nas eleições naquele pais.

Conforme destaca o secretário, as urnas eletrônicas não possuem conexão com a internet, como sites de bancos e até o da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço, a agência norte-americana Nasa, conforme sugeriam algumas notícias falsas por já terem, supostamente, sido invadidos por hackers. Na verdade, no interior de uma urna eletrônica são encontrados cinco dispositivos (hardwares) que podem ter sua segurança verificada por meio de assinaturas eletrônicas. São eles o hardware de segurança, o chip Bios, o sistema operacional, o gerenciador de aplicativos e o sistema de votação.

“Digamos que ele (hacker) consiga burlar essa camada de segurança, ele vai ser pego em outra e assim sucessivamente. Ou é numa auditoria que vai ser verificado isso, ou um dispositivo de hardware vai possibilitar que isso aconteça ou uma questão de certificado digital que verifica se aquela informação foi alterada. Então olhando a cadeia toda a possibilidade é zero”, explica.

Outro ponto destacado no evento foi que, após serem definidas com 20 dias de antecedência das eleições, as versões finais do sistema são gravadas em mídia física, assinadas digitalmente por representantes das entidades e partidos e guardadas em um cofre no TSE. Já no dia das eleições até 3% das urnas são sorteadas para uma verificação final.

Segundo o presidente do TRE, o desembargador Gilberto Ferreira, estas informações continuarão a ser abordadas em palestras nas escolas públicas e universidades como um pacto pelo combate à desinformação.

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