Críticas do PFL fazem partido do governo cobrar fidelidade
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segunda-feira, 24 de novembro de 1997
Agência Estado 
Brasília
Provocado pela posição crítica do PFL a algumas medidas do pacote fiscal, principalmente o aumento do imposto de renda, o PSDB decidiu cobrar fidelidade dos partidos aliados do governo. Os correligionários do presidente Fernando Henrique Cardoso estão irritados com a falta de sincronia da base governista no Congresso e decididos a não carregar sozinhos o peso do pacote.
Esta semana nós queremos saber quem está realmente com o governo, a favor das medidas duras, porém necessárias, ou se está com a demagogia fácil, afirmou o líder do PSDB na Câmara, deputado Aécio Neves (MG). Vamos cobrar de todos os aliados o voto nas reformas administrativa e previdenciária, como também o apoio ao ajuste fiscal, inclusive o aumento do imposto de renda. Segundo Aécio Neves, o PSDB só aceita outra posição dos aliados se eles apresentarem alternativa viável, econômica e socialmente.
A insatisfação do PSDB passa pela disputa de espaço com o PFL. O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), apresentou-se como o principal defensor dos cidadãos penalizados com o aumento do imposto de renda. Ontem o senador avaliava, em conversa no Senado, o impacto do corte de 33 mil servidores não-estáveis, incluído no pacote. Defendeu o reexame da medida pelo governo, para que fosse atingida uma meta econômica com consequências menos drásticas para o social. A resposta popular à posição de ACM apareceu nas mais de cem cartas de apoio que o presidente do Senado recebeu em seu gabinete, vindas de todo o País.
O PSDB usa um discurso firme e critica os aliados que deram meio apoio ao governo. Nós sabemos que não temos saída: ou apoiamos a defesa do real, com todo o desgaste eleitoral que ela possa nos trazer, ou perdemos todos, os candidatos e o País, afirmou Aécio Neves.
O objetivo do PSDB é mostrar aos aliados que assumiu o pacote do governo e ponto final. O que é fundamental é manter o poder de compra do salário e impedir a volta da inflação e o PSDB não vai abrir mão disso, sustentou o deputado José Aníbal (PSDB-SP). Estamos vivendo um período de dificuldade e, para o País, certamente não é o momento de uma posição tão resistente assim do PFL, acrescentou o vice-líder do governo no Congresso, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP).
O partido revela rancor com alguns aliados, mas o sentimento do presidente Fernando Henrique Cardoso não é o mesmo. Isto é o que dizem alguns parlamentares que conversaram com o presidente nos últimos dias. A crítica que se fez ao presidente foi de que ele não ouviu os partidos, mas, como chefe do Executivo, ele não poderia tomar medidas imediatas, intervenções táticas e chamar todo mundo para uma plenária, defendeu o deputado Moreira Franco (PMDB-RJ). Por outro lado, o presidente não espera apoio incondicional, mas quer solução por meio de discussão técnica.


