Brasília
Provocado pela posição crítica do PFL a algumas medidas do pacote fiscal, principalmente o aumento do imposto de renda, o PSDB decidiu cobrar fidelidade dos partidos aliados do governo. Os correligionários do presidente Fernando Henrique Cardoso estão irritados com a falta de sincronia da base governista no Congresso e decididos a não carregar sozinhos o peso do pacote.
‘‘Esta semana nós queremos saber quem está realmente com o governo, a favor das medidas duras, porém necessárias, ou se está com a demagogia fácil’’, afirmou o líder do PSDB na Câmara, deputado Aécio Neves (MG). ‘‘Vamos cobrar de todos os aliados o voto nas reformas administrativa e previdenciária, como também o apoio ao ajuste fiscal, inclusive o aumento do imposto de renda’’. Segundo Aécio Neves, o PSDB só aceita outra posição dos aliados se eles apresentarem ‘‘alternativa viável, econômica e socialmente’’.
A insatisfação do PSDB passa pela disputa de espaço com o PFL. O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), apresentou-se como o principal defensor dos cidadãos penalizados com o aumento do imposto de renda. Ontem o senador avaliava, em conversa no Senado, o impacto do corte de 33 mil servidores não-estáveis, incluído no pacote. Defendeu o reexame da medida pelo governo, para que fosse atingida uma meta econômica com consequências menos drásticas para o social. A resposta popular à posição de ACM apareceu nas mais de cem cartas de apoio que o presidente do Senado recebeu em seu gabinete, vindas de todo o País.
O PSDB usa um discurso firme e critica os aliados que deram meio apoio ao governo. ‘‘Nós sabemos que não temos saída: ou apoiamos a defesa do real, com todo o desgaste eleitoral que ela possa nos trazer, ou perdemos todos, os candidatos e o País’’, afirmou Aécio Neves.
O objetivo do PSDB é mostrar aos aliados que assumiu o pacote do governo e ponto final. ‘‘O que é fundamental é manter o poder de compra do salário e impedir a volta da inflação e o PSDB não vai abrir mão disso’’, sustentou o deputado José Aníbal (PSDB-SP). ‘‘Estamos vivendo um período de dificuldade e, para o País, certamente não é o momento de uma posição tão resistente assim do PFL’’, acrescentou o vice-líder do governo no Congresso, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP).
O partido revela rancor com alguns aliados, mas o sentimento do presidente Fernando Henrique Cardoso não é o mesmo. Isto é o que dizem alguns parlamentares que conversaram com o presidente nos últimos dias. ‘‘A crítica que se fez ao presidente foi de que ele não ouviu os partidos, mas, como chefe do Executivo, ele não poderia tomar medidas imediatas, intervenções táticas e chamar todo mundo para uma plenária’’, defendeu o deputado Moreira Franco (PMDB-RJ). Por outro lado, o presidente não espera apoio incondicional, mas quer solução por meio de discussão técnica.

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