Agência Estado
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EsclarecimentoTemer (ao fundo): telefonema ao presidente para cobrar explicações sobre conteúdo das críticas, mal-recebidas pelo CongressoA insistência do PSDB em aumentar o Imposto de Renda para a pessoa física, a demora no envio das medidas provisórias ao Legislativo e as críticas que teriam sido feitas aos aliados do governo pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, deixaram os mais fiéis aliados do governo à beira de uma rebelião. O discurso de improviso do presidente, acusando os opositores do aumento de imposto de agir em interesse próprio, piorou o clima em relação ao pacote no Congresso.
O líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), reagiu com agressividade às críticas: ‘‘O presidente Fernando Henrique não tem o monopólio do patriotismo e nem é o detentor das preocupações com a estabilidade econômica’’, disse ele. Na quarta à noite Geddel conseguiu dar um golpe no oposicionista Paes de Andrade (PMDB-CE) e levou o conselho político do PMDB a aprovar uma moção de apoio à reeleição de Fernando Henrique.
O líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), foi mais delicado que Geddel, mas respondeu a Fernando Henrique com críticas à lentidão do governo no envio do pacote: ‘‘Não vesti a carapuça, mesmo porque o governo ainda não mandou o pacote ao Congresso’’. E continuou: ‘‘Se ele (Fernando Henrique) nos fez críticas, foi muito infeliz’’. Inocêncio disse que não entende por que a equipe econômica fez tanto estardalhaço na segunda-feira para divulgar medidas que não estavam prontas.
O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), telefonou no início da tarde para Fernando Henrique. Ele queria esclarecimentos do presidente da República sobre as críticas que teria feito aos parlamentares, na hora do almoço. De acordo com o próprio Temer, Fernando Henrique disse que não havia criticado os congressistas e que as palavras tinham sido ditas em outro contexto.
Temer aproveitou para cobrar do presidente uma resposta sobre a substituição do aumento do Imposto de Renda para a pessoa física por outra fonte de recursos.
ACM Meia hora antes de ser recebido no Palácio do Planalto pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), admitiu que o projeto de aumento do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF) pode ser modificado no Congresso e não simplesmente rejeitado, como sugeriam suas declarações anteriores. O senador negou ter sugerido ao presidente que não mandasse o projeto. ‘‘Ele pode mandar a mensagem sobre o imposto e aqui ser alterado, se os congressistas das duas Casas acharem que é conveniente’’, afirmou.
Magalhães garantiu que sua posição é a mesma, totalmente contrária ao aumento do imposto. ‘‘Continuo cada vez mais convencido que o aumento do Imposto de Renda não deve passar.’ Segundo o senador, o Legislativo está pronto para atender ao presidente Fernando Henrique Cardoso. ‘‘O que não significa aprovar as medidas como forem encaminhadas’’, ressalvou.
Mesmo conhecendo a disposição do governo de não recuar, ele se disse confiante quanto à possibilidade de serem retiradas do pacote de ajuste fiscal medidas que dificilmente serão aprovadas pelo Congresso, como o aumento do Imposto de Renda. ‘‘Sou otimista, acho que será encontrada uma saída’’, previu. ‘‘A saída encontra-se num fórum de discussão porque ninguém pode negar que o País precisa dessas medidas.’

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