Goiânia - O presidenciável tucano José Serra revelou, ontem em Goiânia, como pretende conduzir o Brasil, na hipótese de ser eleito no dia 31 de outubro. O governo, disse Serra, terá o apoio da maioria, no Congresso Nacional, visará a unidade de todos, e será voltado para a população e o crescimento econômico e social do País. ''Vamos governar tendo a maioria no Congresso Nacional'', disse o tucano. ''E não vamos dividir o Brasil, em uma região contra a outra, como se fez no Pré-Sal'', avisou Serra, após comício e caminhada numa avenida no centro da cidade.
Ele se mostrou irritado com as críticas ao Plano Real, feitas pela oposição, e ao governo de Fernando Henrique Cardoso. O que ele considerou ''uma ingratidão''. ''Quando vou para o governo não fico xingando, não sou ingrato como esse governo foi com o FHC'', afirmou.
Apoiado pelo candidato Marconi Perillo, que disputa o segundo turno com Iris Rezende (PMDB), cercado pelos senadores Demóstenes Torres (DEM) e Lúcia Vânia (PSDB), Serra prometeu apoiar o plano tucano de transformar Goiás na quinta maior economia do País. Atualmente, o Estado ocupa a nona posição no ranking Nacional.
Para que isso aconteça, Serra prometeu investimentos na construção de novos aeroportos, ampliação do atual Santa Genoveva, terminar as obras da Ferrovia Norte-Sul com um ramal interligando Anápolis a São Paulo. Mais a duplicação de rodovias federais que cortam Goiás. Empolgado pelo calor dos tucanos, na cidade gerida pelo PT, também anunciou a construção do metrô e do Anel Viário.
Também não perdeu a oportunidade de voltar suas críticas para Brasília. Disse, entre outras coisas, que a ausência de isenção de quem conduz a sucessão presidencial, tumultua o processo. ''O presidente da República tem que saber como se comportar numa eleição'', disse José Serra. ''O Alberto Goldman, governador de São Paulo, é um bom exemplo, pois nunca usou a máquina do governo para favorecer um candidato.''
A caminhada dos tucanos com Serra começou na praça do Bandeirante, na Avenida Anhanguera. Terminou na avenida Tocantins, em frente ao Teatro Goiânia. Serra foi recebido com festa por uma multidão. Portando bandeiras, camisetas e adesivos, cerca de cinco mil pessoas seguiram Serra que discursou, animou a plateia com planos de governo e deu entrevistas. Jovens e mulheres, ignoraram o feriadão para gritar a partir das lojas, das calçadas, das ruas e do alto dos prédios.
No primeiro turno, o tucano perdeu por uma diferença de 2,75% dos votos válidos de Goiás. Somou 1.217.203 contra 1.301.985 votos da petista. Agora, duas pesquisas internas do PSDB de Goiás indicam Serra vencendo Dilma com vantagens que variam de 5% a 12%.

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