Curitiba - Críticas ao governo Lula e propostas para que o partido possa voltar à Presidência da República pautaram os discursos durante o seminário de Desenvolvimento Urbano promovido pelo PSDB ontem, em Curitiba. O evento, que faz parte de uma série de debates preparatórios para o 3º Congresso Nacional da legenda, contou com a presença de algumas das principais lideranças nacionais tucanas.
A grande ausência do encontro foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que teve sua presença confirmada na semana passada, mas que não veio a Curitiba por causa de compromissos de última hora. As críticas mais pesadas ao governo Lula, então, vieram do presidente nacional do PSDB, o senador Tasso Jereissati (CE). Questionado sobre a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizar a abertura de inquérito contra envolvidos no escândalo do mensalão, Jereissati afirmou que a impunidade é o ''verdadeiro câncer do Brasil'', que afeta várias áreas da sociedade. ''É um verdadeiro show de impunidade, que o governo acoberta, fazendo com que o país todo não creia mais que vale a pena ser honesto. É um erro brutal, que vai deixar sequelas no governo Lula por estar protegendo todos esses delinquentes'', atacou.
Críticas também partiram até mesmo de tucanos mais comedidos, como o ex-deputado paranaense e ex-ministro Euclides Scalco, um dos fundadores do partido. ''Vamos precisar de uma geração para consertar o que foi feito na passagem do PT pelo governo'', afirmou. Para ele, o PSDB deve se concentrar nas eleições municipais do ano que vem para começar seu caminho de volta à Presidência. ''Não teremos 2010 se não passarmos por 2008'', resumiu.
Já o governador de São Paulo, José Serra, apontado como um dos pré-candidatos do PSDB à sucessão de Lula, foi mais ameno. Mesmo assim, acusou o governo federal de não ter planejamento de ações e afirmou que ele não vem cumprindo o que determina a Constituição em relação aos gastos na área da Saúde. Serra, no entanto, negou-se a antecipar a disputa pela Presidência. ''A eleição em 2010 está muito longe. A minha preocupação essencial é governar bem o meu Estado. Os paulistas não me elegeram para ser candidato, me elegeram para administrar bem o Estado e é isso que estou fazendo.''
Mesmo assim, Serra deu algumas sugestões para que o PSDB possa ter seu caminho de volta à presidência facilitado. A principal delas, segundo ele, é melhorar a comunicação. ''O PSDB não tem nenhum motivo para se envergonhar do seu passado, mas não sabe fazer propaganda'', disse. ''O PSDB não é bom de comunicação, de mostrar o que fez, de fixar suas conquistas na população. Às vezes vejo gente pegar programas nossos e dizer que foram criados pelo atual governo. Isso é um exemplo de falha de comunicação'', acrescentou. Além de Jereissati e Serra, outro nome de destaque que participou do seminário em Curitiba foi o ex-governador de São Paulo e ex-candidato à presidência, Geraldo Alckmin.

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