'Criticar a polícia é simplista', diz Delazari
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O secretário de Estado da Segurança, Luiz Fernando Delazari, creditou ao aumento do tráfico e do consumo de drogas a criminalidade registrada no Paraná. Também disse que os dados sobre crimes no Estado mostram que a pobreza e o desemprego também contribuem para aumentar os índices da violência. ''Criticar a polícia é um discurso simplista'', criticou. Como exemplo, ele apontou que, em Curitiba, 54% dos homicídios acontecem em seis bairros da capital, em regiões periféricas e pobres da cidade.
Delazari foi sabatinado ontem pelos deputados estaduais na Assembleia Legislativa. Durante a apresentação, o secretário afirmou que os índices de violência estão em queda no Estado. Como exemplo, declarou que Foz do Iguaçu apresentou queda de 50% no número de homicídios nos últimos três anos. ''Quando é uma notícia positiva, ninguém publica'', criticou.
Em uma exposição de uma hora e meia, o secretário listou as realizações de sua Pasta e afirmou que o orçamento da área durante os sete anos do Governo Requião dobrou em relação aos oito anos do Governo Jaime Lerner. Os valores investidos durante o período de 1994 a 2002 teriam sido de pouco mais de R$ 3 bilhões. Já Requião teria aplicado na área mais de R$ 6 bilhões até o momento.
O secretário foi bastante criticado pelos deputados da oposição por conta da realização de uma grande operação contra o tráfico de drogas na segunda-feira, véspera de sua ida à Assembleia. ''Ninguém engoliu a Operação Farsa de ontem'', declarou Waldyr Rossoni (PSDB). Segundo o parlamentar, a ação - que resultou na prisão de 279 pessoas - serviu para ''jogar uma cortina de fumaça'' sobre o tema segurança.
Exaltado, Rossoni chegou a sugerir que Delazari deixe o cargo. ''O secretário não goza de prestígio dentro das corporações'', declarou. O parlamentar disse que o governador Requião poderia ter uma ''atitude de estadista'' e ''deixar que uma pessoa que entenda de segurança assuma a pasta''.
Os parlamentares também criticaram a falta de policiais civis em 210 municípios. Em resposta, Delazari informou que o número máximo de cidades atendidas por um único delegado é sete, o que aconteceria nos municípios de Loanda (102 km a oeste de Paranavaí) e Paranacity (66 km ao norte de Maringá). E que o policiamento nas cidades que não contam com efetivo da Polícia Civil seria feito por policiais militares.
Para o secretário, o aumento do efetivo das polícias no Estado não é solução para a segurança. ''Não é esta a saída'', afirmou. Segundo Delazari, o Paraná tem o sexto maior efetivo de Polícia Militar do País. O deputado Marcelo Rangel (PPS) cobrou do secretário um compromisso para que o Estado chegue ao efetivo previsto em lei, que é de 21 mil policiais (hoje são 17 mil), mas não obteve resposta.
As informações apresentadas pelo secretário dão conta de que em 172 municípios paranaenses nenhum homicídio foi registrado no último ano, em 173 cidades foram registrados menos de cinco homicídios, em 18 foram de cinco a dez mortes violentas e em 36 cidades foram mais de dez assassinatos. ''Cerca de 80% dos homicídios do Estado acontecem em 42 cidades'', destacou.
Ao ser questionado a respeito da sensação de insegurança enfrentada pelos paranaenses, Delazari respondeu que essa não é uma avaliação objetiva. ''O que apresentei aqui são dados objetivos da situação do Estado. A sensação de segurança é muito subjetiva. Uma pessoa que foi assaltada pode se sentir insegura mesmo num lugar seguro'', defendeu.


