Crítica de Motta irrita cúpula do partido
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sexta-feira, 19 de setembro de 1997
Agência Estado Brasilia 
Não bastassem a crise política decorrente da recusa do governador paulista, Mário Covas, de disputar a reeleição e da mágoa do presidente Fernando Henrique Cardoso contra os tucanos que o apontaram como responsável pela situação, o PSDB encerra esta semana envolvido em mais uma briga interna. Agora é o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, que entrou em confronto com a Executiva Nacional do partido, que atribui a ele as críticas à atuação do presidente do PSDB, senador Teotônio Vilela (AL).
Informados de que o ministro se irritara com a declaração do senador Vilela em favor da permanência do ex-governador cearense Ciro Gomes no PSDB, apontando-o como um excelente candidato a presidente em 2002, dirigentes do PSDB reagiram ontem. Argumentaram que a defesa da permanência de Ciro decorreu da avaliação do próprio Palácio do Planalto de que, fora do PSDB, ele incomodaria muito mais. Ontem, o senador recebeu telefonemas de solidariedade dos governadores tucanos, de dirigentes estaduais e até do presidente Fernando Henrique.
A Executiva está completamente unida e eu acho que as condições para reeleger o Teotônio em abril são excelentes, disse o secretário-geral do partido, deputado Arthur Virgílio Neto (AM). A direção nacional fará nova reunião no início da semana e poderá dar o troco ao ministro das Comunicações.
Na reunião de terça-feira, para qual o ministro Motta foi convidado, a pauta incluiu a crise Mário Covas e mais dois litígios: as agressões de Ciro Gomes ao presidente Fernando Henrique e a filiação do ex-governador da Bahia, Nilo Coelho, ao PSDB. O ministro esbravejou contra a filiação de Coelho e exigiu sua expulsão, apesar de a bancada tucana baiana ter ponderado que a filiação era fundamental para a sobrevivência do PSDB no Estado.
Nem o presidente do partido nem o secretário-geral pretendem ceder a esta exigência. Não é justo que nós prejudiquemos os companheiros baianos que estão na luta de oposição ao PFL estadual, defendeu o secretário-geral. Ele e Vilela vão procurar os governadores do Ceará, Tasso Jereissati, e de Minas, Eduardo Azeredo, que se manifestaram pela expulsão de Nilo Coelho. Vão argumentar que a bancada da Bahia não pode ser desautorizada até por coerência. Os baianos merecem o mesmo respeito dos tucanos do Paraná que recusaram a filiação do governador Jaime Lerner e a nacional não interferiu, disse Arthur Virgílio.
O presidente Fernando Henrique fica este fim de semana em São Paulo, mas até o início da noite o encontro dele com o governador não passava de um desejo do PSDB paulista.


