A questão agrária foi uma das tônicas que marcou a visita do presidente da República ao Paraná, ontem. Fernando Henrique fez um discurso inflamado abordando o problema e cutucando o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O que arrancou aplausos da platéia, integrada em parte por deputados e lideranças ruralistas.
O presidente assegurou que o governo federal não está preocupado apenas com a questão energética e que nesse ano pretende investir no processo de reforma agrária, para pôr fim aos conflitos pela terra. ‘‘Vamos fazer mudanças profundas na questão agrária. Não podemos sustentar movimento e movimento’’, criticou, numa referência ao MST.
‘‘Não vamos permitir a criação de uma clientela do campo’’, anunciou o presidente, ovacionado pelos convidados presentes na Usina de Salto Caxias. ‘‘Vamos dar ainda um grande incentivo (financeiro) às unidades de produção agrícolas, promovendo um impulso no Pronaf (Programa Nacional de Apoio à Agricultura Familiar)’’, emendou.
Na entrevista coletiva, Fernando Henrique disse que assim como os pequenos produtores rurais, as crianças e os idosos terão prioridade no seu governo. O presidente anunciou que, a pedido de setores da Igreja e do sindicalista Luiz Antonio Medeiros, o governo federal está revendo os recursos disponíveis para a assistência social.
‘‘E espero que na próxima semana tenha condições de assegurar que não haverá cortes nessa área. Pode haver redução de recursos, mas desde que se encontrem outras formas de compensação’’, observou. Fernando Henrique admitiu que os cortes programados por sua equipe econômica podem atingir ‘‘atividades-meio’’. ‘‘Mas nunca o atendimento direto à população, por maiores que sejam as dificuldades’’, disse. (L.D)

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