Cristovam recua e adia saída do PT
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segunda-feira, 15 de agosto de 2005
Fábio Zanini<br>Folhapress 
Brasília - O senador Cristovam Buarque (DF) recuou e adiou sua saída do PT. O desligamento chegou a ser anunciado pela assessoria ontem pela manhã, mas ele surpreendeu e acabou postergando a definição sobre seu futuro político pelo menos até hoje à noite, quando a bancada petista no Senado se reúne.
Oficialmente, o ex-ministro da Educação e ex-governador do Distrito Federal decidiu pensar mais um pouco, em respeito às bases partidárias, que teriam feito um apelo para que ele permanecesse no partido.
Mas Cristovam também está avaliando suas possibilidades eleitorais em 2006. Seu sonho é ser candidato a presidente por PPS ou PDT, mas apenas se conseguir montar uma sólida aliança de esquerda. O problema é que os dois partidos já têm seus próprios pré-candidatos a presidente - o deputado Roberto Freire (PPS-PE) e o senador Jefferson Peres (PDT-AM).
O petista chegou a discursar da tribuna do Senado, como previsto, mas em vez de anunciar sua desfiliação, limitou-se a homenagear o ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes, morto no sábado.
Ele indiretamente mencionou a possibilidade de trocar de legenda, mirando-se no exemplo de Arraes, ''que pertenceu a quatro partidos diferentes, mas sempre defendeu uma única causa, a dos mais pobres''.
Após seu discurso, Cristovam conversou a portas fechadas com o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e o presidente do PT no Distrito Federal, Vilmar Lacerda - um dos sacadores da conta do publicitário Marcos Valério de Souza no Banco Rural. ''Estamos tentando convencê-lo a ficar, mesmo com todas as críticas que tem ao governo'', disse Lacerda.
Cristovam desgastou-se muito com o Planalto desde que foi demitido do Ministério da Educação na primeira reforma ministerial do governo, no início de 2004. Ele foi comunicado da demissão quando estava em Portugal por telefone pelo presidente Lula.
Além dele, podem sair do partido cerca de dez deputados federais da ''esquerda'' partidária, mas essa decisão ainda deve demorar ao menos um mês para ser sacramentada.
Hoje, a Executiva do PT se reúne em Brasília com os três governadores e os nove prefeitos de capital do partido para discutir a crise que se instalou na legenda.


