O ex-governador do Distrito Federal Cristovam Buarque desistiu de disputar a prévia para escolha do concorrente do PT à Presidência da República e está propondo um movimento em defesa da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. ‘‘Ninguém deve enfrentar mitos’’, disse ontem, mandando um recado ao senador Eduardo Suplicy (SP). Até agora, o senador é o único inscrito para a prévia. ‘‘Lula é um símbolo do partido e vamos cobrar dele uma decisão para começar logo a campanha’’, disse Cristovam, que agora quer concorrer ao Senado.
Enquanto isso, os candidatos à presidência da Câmara, Inocêncio Oliveira (PFL-PE) e Aécio Neves (PSDB-MG), sonham com o apoio dos petistas. Com uma bancada de 56 deputados, que costuma respeitar as decisões partidárias, o PT pode se tornar fiel da balança. Mas a polarização da disputa está provocando um dilema que pode levar a bancada federal à situação inusitada de liberar os deputados para evitar o constrangimento da desobediência partidária.
A menos de 30 dias da eleição, os líderes petistas ainda não possuem uma radiografia da tendência majoritária do partido. Uma primeira avaliação de tendências será feita na próxima terça-feira, na reunião de coordenadores de bancada. No momento, os petistas estão divididos em três grupos: os que apóiam Inocêncio, localizados basicamente na bancada paulista; os que defendem a candidatura de Aécio, principalmente os mineiros; e ainda os partidários da candidatura própria. (A.E.)

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