O presidente do Tribunal de Contas do Paraná, Quiélse Crisóstomo, quebrou o silêncio e abriu guerra contra o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Aníbal Khury (PFL). A assessoria de Crisóstomo distribuiu ontem uma nota oficial, na qual o conselheiro reage às acusações feitas por Khury, na última quarta-feira, de que estaria se utilizando da função para exercer influência política sobre os prefeitos. Crisóstomo é pai do deputado estadual reeleito Cleiton Crisóstomo (PFL), cuja base eleitoral coincide com a de Khury.
‘‘A acusação de uso político do Tribunal de Contas é uma mentira’’, começa a nota assinada por Crisóstomo. Segundo o conselheiro, o Tribunal tem procurado evitar ao máximo o contato com os prefeitos, principalmente na hora de distribuir as certidões negativas, requisito básico para as prefeituras se habilitarem a verbas públicas. ‘‘Somente nos últimos dias entreguei certidões para os deputados Hermas Brandão (PTB), Edno Guimarães (PL) e Geraldo Cartário (PL), entre outros’’, garantiu via nota oficial.
Crisóstomo acredita que o motivo para o descontentamento de Khury com o TC seja o fato de ele ter se recusado a entregar ao presidente da Assembléia uma certidão negativa ao município de Cerro Azul, que segundo o conselheiro, responde por 25 processos sem prestação de contas. ‘‘Podem criar dez Tribunais de Contas dos Municípios que o TC não irá entregar a certidão de Cerro Azul por respeito ao povo daquele município, que tem o direito de ver o dinheiro do imposto que paga ser aplicado de forma correta e legal’’, reagiu em relação à ameaça do deputado de colocar na ordem do dia o projeto que cria o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), no dia 22 próximo.
‘‘Também acredito que o deputado Aníbal Khury começou bem. Só passou a ir mal quando me neguei a entregar a certidão de Cerro Azul. Não tenho rabo de palha’’, emendou o presidente do TC. Crisóstomo disse que a briga é única e exclusivamente em relação a Cerro Azul. Ele alega ter entregue ao deputado 40 certidões negativas referentes a outros municípios. O conselheiro não poupou críticas ao bombardeio da idéia do TCM. ‘‘Se o Tribunal de Contas do Municípios sair do papel será apenas para criar empregos para quem não vai trabalhar’’, ponderou o conselheiro Quiélse Crisóstomo.
Ele ponderou ainda que a criação do TCM ‘‘contrasta com a realidade administrativa do País e com a moderna administração pública’’. Segundo ele, não há justificativas para manter uma estrutura dupla. ‘‘Com cerca de 700 funcionários, respondendo por 1,6% das despesas gerais do Estado, o TC analisa anualmente cerca de 35 mil processos’’, contabilizou. Crisóstomo aproveitou a nota oficial para defender-se das acusações de que estaria protegendo o filho, deputado Cleiton Crisóstomo. ‘‘Na última eleição - Quiélse não era ainda o presidente do TC - proibi propaganda nos carros dos funcionários do TC. Aliás, nunca utilizei um carro público para a campanha eleitoral. Será que isso aconteceu na Assembléia? Nunca usei dinheiro público para campanha política. Será que isso aconteceu na Assembléia?’’, questionou.
O presidente da Assembléia, Aníbal Khury, não quis comentar ontem as declarações do presidente do TC. O deputado disse que dará ‘‘a resposta’’ ao conselheiro ‘‘no momento certo’’. Khury não detalhou ainda como foi a sua conversa pelo telefone com Crisóstomo na noite de quarta-feira.

mockup