Crises marcam segundo mandato de Lerner
Leandro Donatti
Reeleito em 1998, o governador do Paraná Jaime Lerner (PFL) não tem muita coisa para comemorar no aniversário dos primeiros seis meses de seu segundo mandato. Se pudesse, ele começaria tudo de novo, confidenciou ontem uma fonte ligada ao governo.
Mais que realizações, o governo consumiu o primeiro semestre para administrar crises. A primeira delas pipocou já no dia da posse. Ressentida com a escolha do secretariado, a vice-governadora Emília Belinati (PTB) deu um grito de liberdade. De lá para cá, a relação dos dois nunca mais foi a mesma.
Três viagens para o exterior - duas aos Estados Unidos e uma à Polônia - tiraram Lerner do fogo cruzado. A primeira foi no final de janeiro, logo após ter colocado um ponto final na queda-de-braço entre o ex-ministro Reinhold Stephanes e o secretário de Fazenda, Giovani Gionédis, por conta do Banestado.
O sistema previdenciário recém-criado para os servidores começou a dar dor-de-cabeça no início deste semestre, quando Lerner decidiu acabar com isenção dos maiores de 70 anos, em troca de uma isenção escalonada.
A novela envolvendo o aumento das tarifas de pedágio começou em março, com um pronunciamento de deputados favoráveis à revisão dos valores. De lá para cá, pouco se avançou. O governo tem ainda muitas arestas a aparar. Em março também a Assembléia criou sua bancada ruralista. Iniciava a briga com o MST, que se arrasta até hoje.
No primeiro semestre, Lerner não administrou apenas problemas de ordem técnica, mas políticos. O rompimento com o deputado Abelardo Lupion se deu no final de março, dias antes de embarcar para a Polônia. Lerner implodiu a candidatura do deputado à presidência do PFL. Lupion não perdoou Lerner.
Em abril, o governador passou apuros com a epidemia de cólera em Paranaguá. A doença contaminou 465 pessoas e matou três, colocando o Paraná em destaque nacional. Em maio, uma nomeação precipitada do ex-governador Ney Braga, para presidir a Comissão de Desestatização da Copel, teve de ser revista. Como se não bastasse, a Assembléia apresentou nesses seis meses diversas projetos de lei tirando recursos financeiros do governo.
Aliás, a crise nas finanças públicas tem sido apontada como o principal motivo do início difícil. Na semana passada, Lerner amargou um quinto lugar no Datafolha, o que nunca ocorreu nos quatro anos e meio que está no poder. Em entrevista à Folha ontem, Lerner culpou a crise financeira. Não é a reeleição, foi a situação no País é que ficou mais difícil. O governador afirmou que, apesar do ajuste fiscal baixado pelo governo federal, o Paraná está na contramão da crise. Não paramos um minuto o processo de industrialização. Temos mais de 800 obras para inaugurar. É um volume considerável, próprio de um Estado que sempre deu respostas. Não descuidamos da questão social, jamais.
Para Lerner, a turbulência econômica também trouxe reflexos não só para sua gestão, como em todos os Estados. Estamos começando a superar os problemas, disse, confiante. Emília Belinati acha também que as dificuldades nesse início de novo mandato são momentâneas. É um tempo difícil não apenas para os Estados como para o governo federal. Mas o Paraná não deixou de ter ganhos, principalmente na questão da industrialização. As coisas têm avançado continuamente, declarou.Brigas com aliados e falta de dinheiro foram as principais dificuldades enfrentadas pelo governador no primeiro semestre
Arquivo FolhaConfiançaJaime Lerner: Situação do País é que ficou mais difícil; mas estamos começando a superar os problemas





