Brasília - A secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, disse ontem que ''os problemas políticos, econômicos e sociais dos países da região tornam as democracias frágeis''. Foi sua resposta sobre a instabilidade na América do Sul, com crises no Equador, na Venezuela e na Bolívia. Apesar dos esforços entre Condoleezza e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, para demonstrar convergências, ficou evidente que a Venezuela - um dos principais adversários dos EUA - é um ponto dissonante.
Enquanto Amorim reforçava a democracia formal do governo Hugo Chávez, a secretária americana dizia que não bastam eleições para caracterizar democracia. ''Democracia não é só eleição'', disse ela. Segundo Condoleezza, democracia inclui a promoção da boa governança, acesso à educação e oportunidades para todos. ''Um processo democrático não se faz com soluções fáceis que parecem boas, mas não são baseadas na realidade econômica.''
Apesar de não terem falado na coletiva, Amorim e Condoleezza conversaram sobre a vinda do presidente George W. Bush ao Brasil ainda neste ano, provavelmente em novembro.
Amorim e Condoleezza disseram que falaram também sobre a crise no Equador, que levou à destituição do presidente Lucio Gutiérrez, asilado no Brasil. Segundo eles, os dois países se comprometeram a ''acompanhar de perto o desenvolvimento dos acontecimentos no país e a trabalhar para que o Equador retome o caminho da democracia'', segundo definiu Condoleezza.
Condoleezza Rice disse ainda que os Estados Unidos têm interesse em manter a parceria com o Brasil. ''O Brasil é um líder regional que está se firmando como uma potência mundial'', disse ela.
Durante pouco mais de uma hora, os dois conversaram sobre pelo menos oito assuntos: retomada, ''com energia'', das negociações da Alca (Área de Livre Comércio das Américas), negociações da OMC (Organização Mundial de Comércio), integração sul-americana, a reunião dos países árabes e sul-americanos, a reforma do Conselho de Segurança da ONU, a missão no Haiti, o Fundo Democrático das Nações Unidas, além dos conflitos na América do Sul.
O primeiro compromisso oficial de Condoleezza Rice foi um evento informal de recepção na embaixada em Brasília, onde assistiu a uma apresentação de capoeira (ganhou um berimbau de presente) e conversou com a ginasta Daiane dos Santos e os jogadores de vôlei Alexandre Samuel dos Santos (Tande) e Franco José Vieira Neto.

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