O diretor-superintendente do Banco del Paraná, Anízio Rezende, confirmou ontem que o banco paraguaio caminha a passos largos para o processo de venda, que deve se concretizar até o final de novembro. Rezende esteve em Curitiba para apresentar os resultados do banco aos membros do Conselho Administrativo do Banestado. Ele só fez uma ressalva quanto à venda do Del Paraná, alertando os diretores do Banestado sobre a crise política e financeira do Paraguai. ‘‘O momento financeiro no país é grave e atinge todo o sistema de bancos e financeiras’’, repetiu à Folha, antes de embarcar para Assunção.
Segundo Rezende, o Banco del Paraná passa por um momento de tranquilidade, à margem da crise de muitos bancos que sofreram processo de intervenção federal. O Del Paraná, que é uma extensão do Banestado no Paraguai, teve lucro de US$ 2,8 milhões no ano passado. A operação para distribuir os dividendos do banco foi apresentada aos diretores do Banestado. Rezende informou a eles que, do lucro total, 50% vão ser reinvestidos na estrutura bancária e 48% se destinam aos dividendos distribuídos aos acionistas.
‘‘O banco está saneado e com liquidez. Estamos ainda finalizando o processo de recuperação de créditos relativos ao período até 1994’’, afirmou. Do lucro do ano passado, US$ 9 milhões foram destinados para cobrir empréstimos que não foram honrados.
Banestado A venda do Banco del Paraná foi uma exigência que o Banco Central fez ao Banestado dentro do Programa de Reestruturação do Sistema Financeiro (Proes). O Banco Central vai liberar R$ 4,1 bilhões para o saneamento do Banestado e quer a garantia que o governo vai ter a contrapartida de R$ 370 milhões. Do total liberado pelo Banco Central, entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão devem ser antecipados em um empréstimo-ponte a ser viabilizado nesta semana em Brasília.
O presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid, afirmou ontem que a reunião com o Banco Central, agendada para hoje, poderá ser remarcada para amanhã ou até mesmo sexta-feira. ‘‘Estamos a espera da confirmação do Banco Central’’, disse Garcia. A antecipação do financiamento é uma forma de o Banestado se livrar da captação de dinheiro no sistema interbancário e no redesconto do Banco Central. O Banestado precisa de R$ 700 milhões ao dia para fechar as operações.
Na reunião com o Banco Central, o presidente do Banestado e o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, vão apresentar o nome do advogado do banco Fausto Lacerda, indicado para a recém-criada Diretoria de Reestruturação e Privatização do Banestado. Eles vão comunicar ainda como está o andamento da auditoria externa que a empresa Ernst & Yung faz no banco. O trabalho dos auditores deve estar pronto em setembro. Eles estão levantando os números do banco e devem chegar a uma conclusão de quanto o Banestado vale para a privatização. A venda do Banestado para a iniciativa privada tem que ser feita até 30 de junho do próximo ano.

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