Crise política deixa mercado volátil
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domingo, 12 de junho de 2005
Tom Morooka<br> Agência Estado 
São Paulo - A atenção do mercado financeiro esta semana estará dividida entre a decisão sobre o rumo da taxa básica de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom), na quarta-feira, e as notícias sobre a crise política, desencadeada pelo escândalo dos Correios e pelas denúncias de mesada supostamente paga a deputados do PP e do PL pelo tesoureiro do PT, Delúbio Soares, em troca de apoio ao governo na Câmara.
Dois fatos na cena política, em especial, serão destaque na agenda do mercado. Amanhã, está marcada a sessão da CPI dos Correios, quando deverão ser escolhidos o presidente e o relator da comissão, e depois haverá o depoimento do presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson, sobre as denúncias de mesada, à comissão de sindicância da Câmara.
O executivo Rodrigo Boulos, da Tesouraria do Standard Bank, prevê que a crise política que chegou finalmente aos mercados semana passada deverá influenciar os negócios ainda durante algum tempo. ''O mercado poderá começar a semana bem ou mal-humorado conforme as notícias sobre a crise que saírem no fim de semana'', comentou. Ele lembra ainda que, em ambiente de instabilidade política, o mercado fica também bastante sensível a boatos e, portanto, mais volátil.
A semana, diz Boulos, pode ser também a que o Banco Central vai decidir finalmente pela estabilização da taxa básica de juros em 19,75% ao ano, pondo fim ao ciclo de elevações iniciado em setembro, como indica a quase totalidade das previsões entre analistas e economistas de mercado. Pesquisa da Agência Estado aponta que, dentre 52 analistas consultados, 48% ou 92,31% trabalham com a manutenção do juro básico e 4 estimam nova elevação de 0,25 ponto porcentual.
Se o Copom decidir pela estabilidade, a especulação seguinte no mercado será sobre quando o BC vai iniciar o corte dos juros e em que ritmo, diz. A curva dos juros desenhada no mercado sugere que a redução da taxa básica será iniciada em setembro, com corte de 0,25 ponto porcentual, que seria ampliada para 0,50 ponto a partir de outubro. O executivo do Standard Bank comenta que o início e o ritmo de queda vão depender da perda de fôlego do crescimento econômico e da inflação. ''Um quadro desses faria o BC cortar mais agressivamente os juros no último trimestre do ano.''
No cenário externo, o indicador que atrai maior interesse é o índice de preços ao consumidor americano (CPI) de maio, que será divulgado na quarta-feira. Embora o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Alan Greenspan, tenha acenado com a continuidade do processo de ajuste gradual do juro de curto prazo americano, os investidores continuam atentos aos dados de inflação nos EUA. Greenspan disse semana passada, em depoimento na comissão do Congresso, que os juros poderão subir em ritmo moderado porque a economia está em um ritmo razoavelmente firme e a inflação sob controle.


