JerusalémA possibilidade de eleições antecipadas pairava ontem em Israel, um dia depois da demissão, pelo primeiro-ministro Ariel Sharon, dos ministros do poderoso partido religioso Shass, que votaram em primeira leitura no Parlamento contra um plano de austeridade econômica. ‘‘Não vou permitir aos membros do Shass que me chantageiem. Não se pode continuar assim, é preciso mostrar-lhes quem manda’’, afirmou Sharon, que enfrenta a mais grave crise governamental desde a formação de seu gabinete, em março do ano passado, segundo o jornal Maariv.
Conforme seus assessores, o primeiro-ministro realizará consultas sobre a possibilidade de eleições antecipadas. A atual legislatura só termina em outubro de 2003. Esta incerteza na paisagem política interna de Israel pode perturbar sensivelmente os esforços dos que buscam o difícil relançamento do processo para resolver a questão palestina.
O ministro de Finanças Sylvan Shalom anunciou que o plano de austeridade será de novo submetido à votação do Parlamento, sem mudanças. ‘‘É importante que este plano seja aprovado, já que a insegurança e o ambiente pré-eleitoral prejudicam os mercados bursáteis, já afetados por 20 meses de guerra’’, declarou Shalom, que acusa os ortodoxos do Shass de deixar-se levar por ‘‘interesses setoriais’’.
Quatro ministros votaram contra o Governo e um quinto estava ausente quando o Parlamento rejeitou, na noite passada, por 47 votos contra 44 e uma abstenção, o plano de austeridade aprovado noi final de abril.
Este plano de ‘‘emergência econômica’’ objetiva a financiar os gastos de segurança gerados pela segunda Intifada palestina e propõe reduzir em 2,6 bilhões de dólares o déficit orçamentário. Para isso, prevê cortes em diversos orçamentos, um aumento das taxas sobre a gasolina e o fumo, um corte de 200 milhões de dólares nos subsídios familiares.
Os resultados econômicos de Israel preocupam os cidadãos, já que o índice do custo de vida sofreu um grande aumento de 1,5% em maio, com o que a taxa de inflação do ano se eleva a 3,9% e, neste ritmo, atingirá 8% este ano, quando o objetivo do Governo se situava em 4%.
Foi a redução das ajudas familiares em torno de 200 milhões de dólares, prevista no plano, o que provocou a cólera do Shass.
Furioso contra seus sócios que violaram o princípio da solidariedade governamental, Sharon demitiu os quatro ministros do Shass, enq1uanto o quinto renunciou em solidariedade a seus colegas. Estas medidas serão efetivadas na noite de hoje. Além disso, cinco vice-ministros do Shass e dois do partido do Judaísmo Unificado da Tora, também foram afastados de seus cargos.

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